Um Velho Deitado

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C#m
O velho deitado
G#m
em sua rede na varanda
Semeia vento pra outro colher
Ele põe a colher, aonde bem quer

O velho deitado,
em sua rede na varanda
Põe o carro na frente dos bois
OIha os dentes primeiro e o cavalo depois

C#m Bm F#m G#m
Foi ele quem disse
que devagar não se vai longe
Foi ele quem disse
que em terra de cego, caolho se esconde
Foi ele quem disse
Que dispensa beirada de sopa quente
Foi ele quem disse
que águas passadas
movem moinhos à frente,
Se for moinho de gente.

O Velho deitado
Em sua rede na varanda
É olho por olho mas que não seja o seu
Apostou seu amor, no jogo e perdeu

O velho deitado
Em sua rede na varanda
Avisa a todos, mas amigo não é
Manda quem pode, obedece quem quer.

*a partir do poema em prosa “O Velho Deitado“.

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Lets Trance

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Lets dance
Lets trance
Feel yourself on … 4x …
On me

Let’s trance
In the same Place
At the same time
Sharing the space
On your dimension
or on mine, I don’t mind

Together dancing
the same song
the same trance,
a soft nuance,
at the same time,
a transcedental romance.

Let’s trance
Let’s shine
We are two things
With four wings
Burning on fire
In the same place
Sharing the space
At the same time

Thanks to Bowie, Barrose and Bondelaire

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A voz da consciência

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Encomenta Expressa

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Florianópolis, 07 de junho de 2012

Ontem tu ligaste dizendo que me amavas realmente, finalmente, e que não podias aguentar mais essa lembrança, essa distância que nos tratamos e ficamos nos últimos meses. Disse-me que não conseguirias ficar mais, nem mais um minuto sem sentir meus lábios e meu corpo.
E eu me arrepiando toda…

Disse que meu suor era doce, que a lembrança de meus seios pontudos fazia-te tesudo e que a minha tez era de veludo. Gritou até o quanto precisava me ver, urgentemente, me ter, vagarosamente, me tocar, me olhar e mais que simplesmente, me amar.

Pois é, e lá fui eu, novamente, ansiosa esperava o ônibus passar. Devia não ter me exitado e te mandado à merda ou a todos aqueles lugares que você, um dia, me mandou. Eu sabia, conhecia a cena que já decorei e aconteceu: entrar, olhar, despir-me, submeter-me, entregar-me, foder-me. Dormir. Acordar, procurar, não achar, chorar, agredir-me, deprimir-me e sonhar que no outro dia, irias, haha, me procurar.

Eu já aprendi. Tu só ligas quando estás bêbado!
Pois bem. Nesta caixa você encontrará 6 garrafas do melhor whisky que consegui comprar e um cartão com créditos de telefone celular. Te espero na quinta. Com amor, da sempre tua.
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Lugar ao Céu II

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Lugar ao céu.

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Pecados

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Ricardo, coroinha biogeneticista, ficara podre de rico ao manipular os genes humanos em prol da redução da obesidade. Testara em si próprio com 120 kg a menos de resultado. E, de tanto dinheiro e saúde sobrando, começou a patrocinar festas inacabáveis, regadas a drogas para todos os loucos e prostitutas para todos os fetiches. Hahaha! E com nada mais se importou até a overdose de hoje. No leito de morte mandou chamar seu tutor, Padre Eusébio:
- Padre, eu fui um pecador capital de todas as contra-virtudes e estou morrendo… não tenho mais tempo. Você me vende seu lugar no céu?
Eusébio espantou-se! – Não há preço Ricardinho, pecador! você precisava ter sido um bom cristão sua vida toda!

- Mas então o que faço com esse cheque de 500 mil reais?
- Bom. Neste caso, visto que não estás sendo Avarento pois vejo a quantia, que lugar no céu não é Soberba e sim um sonho comum, que sua Gula foi sanada pela genética – ou ao menos disfarçada, que sua genética fez um bem para nosso rebanho não por Vaidade, mas para terem saúde para irem a missa, que a sua dita Luxúria só havia de fazer os amigos felizes, e, afinal, que estás deitado não por Preguiça, mas por necessidade, peço eu então o perdão pela minha Ira. Aliás, por 600 você consegue vista para a Lua. Interessa?

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Pablo Perfumado

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Leu na Internet: “Perfume irresistível – todas as mulheres aos seus pés”. Exatamente isso que Pablo Perfumado procurava. A sua desforra! Mas…
Mas seria verdade? Não que ele acreditasse, mas precisava comprovar com seu próprio olfato. Solicitou seu frasco que chegou em intermináveis 15 dias.

Ao chegar, não teve dúvidas! Abriu o frasco e esparramou pelo corpo todo. Até achou estranho seu cheirinho de churume, mas disseram que era irresistível, então vá lá! Foi ao metrô para comprovar.
Saiu cheio de marra, andando de lado e queixo pra cima, como dançando com a rainha do baile. Todas as pessoas da rua olhavam para ele, a gata do ponto de ônibus, o pipoqueiro triste e até o taxista deitado no carro. Ora com cara de espanto, ora alegria, ora nojo, ora estupefação.
Até chegar na entrada do metrô, Pablo não parava de chamar a atenção, mesmo ao ar livre. Estava provado e aprovado!!, mas decidiu entrar para a prova final. Afinal, um local com pouca ventilação e muita gente apertada traria o resultado definitivo.
Chagando na catraca o guarda parou-o e Pablo, cheio de si e de cheiro: “Sei que estou cheiroso, mas eu gostaria de entrar, por favor”. E o guarda: “Só se você colocar uma calça.”

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Homem é encontrado jogado na rua, deitado, calado.

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Possivelmente drogado ou mal amado.
Saiu no jornal.

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Experimento

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PARTE 1

Ontem decidi que iria iniciar o experimento. Iniciei.
Vestir-me maltrapilho e estirar-me ao chão, como desacordado, em uma rua de não tanto movimento no centro da cidade. Complementar meus estudos sociológicos com uma experiência. É lógico!
Vestido em mal trapos, sujo de carvão e perfume de cachaça. Imóvel!, como deveria ser, de barriga para baixo e uma perna esticada.
A primeira pessoa a passar foi uma dona, daquelas ditas desnorteantes, que olhou-me de canto de olho e reclamou algo para só ela escutar. Um cachorro sarnendo dobrou a esquina e cheirou meu nariz, balançou o seu rabo e esperou reação. Decepção. Foi embora a buscar, sem aparente razão, incomodar outrem ou um real cidadão. Um velho bonachão de chapéu atravessou a rua para não passar por perto de mim e flertou com a madame que tinha nariz de anão de jardim, e assim, assim, um após o outro passou pensando em seus umbigos e rabos, bebendo cramberries, manejando tablets e blackberries.
Pois sim! Eu consegui provar! Em 5 horas virei paisagem da cidade grande.
Mas não contente insisti. O sol castigava minhas costas enquanto passava um garoto apontando um dedo para mim antes de sua mãe lhe puxar. Uma perua de cabelo roxo nem virou a cara, mas prendeu a respiração, eu vi! perto do o casal que procurava uma geladeira para casar e do pombo que procurava uma estátua para cagar. Um homem que andava mancando suspirou, o dono da mercearia disse que a chamaria a polícia, mas já estava tarde e ele fechou.
E foi caindo a noite e eu estava lá. Pensei: “vou para casa tomar um banho, descansar e pensar nos planos de amanhã”.
Fim da parte 1



PARTE 2

E é agora, e cá estou – ainda. Raiada a noite e eu deitado na rua, querendo ir para a casa mas sem conseguir me levantar. Não consigo me mover nem ao menos falar! Minhas mãos inchadas, minhas costas dormentes, cansadas, meu rosto machucado do contato com a calçada.
Um mendigo noturno chega perto, olha para mim e coloca um gole do Velho Barreiro na minha boca. Doce. Sussurra que não divide ponto de esmola e vai embora. Duas prostitutas gordas  reviram meu bolso em busca de trocados e ouço um jovem falando com a esposa: “certo que por causa de mulher…”.
É noite adentro e o sereno alivia minha nuca queimada do sol. Mas ouça! Ouço uma ambulância dobra a esquina. Finalmente alguém vem recolher-me.
Ah! paramédicos. Um olha para o outro, acende um cigarro, reclama do trabalho e coloca-me na maca. A ambulância sacode-se em direção do hospital central.
Fim da parte 2

PARTE 3

Ainda estou aqui no hospital, em uma maca no corredor. Não tenho documentos, não consigo falar, ainda não me mexo. Eis que bons 30 anos de casa chegam com Bete, a enfermeira gorda de baton vermelho e silicone nos peitos: “Quem é esse trapo? Alguém sabe dele?”. Bete é um amor, mas ninguém sabe de mim.
O dia raiou e eu no corredor. Espero que não faltem macas no hospital e que minha sonegação de impostos não faça falta afinal. Um médico recém formado vem me ver. Abre meus olhos e coloca em palito de picolé em minha boca. “Quem é esse senhor?”.
“É o Zé.” – grita alguém do corredor. O Zé Ninguém…
Bete, Bete chegou. Chegou com sua seringa e ahhh eu consigo…!! “Ss..SOoU O Dou dOUTOR PONTES, PROFESSOR DE SOCIOLOGIA NA UNIVERSIDADE!”
“Muito prazer, eu sou Margaret Thatcher. Toma essa morfina e vai dormir um pouco”. Ahhh
O dia muda com as cores. “Deixa mais uma ampola disso pra mim…é para um novo experimento.”. Suplico no corredor.
Fim da parte 3


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Por favor, mexam no meu queijo.

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Vivo uma guerra e não a arte; é o dia a dia de decepções amorosas e depressão consumista. “- Bianca, piranha… vais arrepender-te.”. Não consigo meu pad de última geração nem dinheiro para mandar fechar a zona. Decepção. Não tenho para um carrão nem ao menos para um anel de rubi. “- E ela ainda disse que eu sou um guri!”.
Mas agora sim minha vida mudará, pois escolhi ser feliz! Poderei emagrecer 15 quilos em 15 dias (ou quem sabe 30 em 30!). Adeus barriga! Meu cabelo voltará a crescer e ganharei milhões de dólares até o amanhecer. Facilmente conquistarei 1000 mulheres para esfolar meu futuro pênis aumentado… “-Vingança!”, e dedicarei ao meu pobre pai executivo que faliu a empresa e fugiu para um monastério em busca da paz interior e da proteção contra os credores.“- ARRASTAR-TE-ÁS AOS MEUS PÉS!”. Vaca. Aprenderei a controlar o stress e a falar em público. Exercerei tamanha influência que meus ditos distribuirão amor aos fracos por os brados de anunciação dessa nova era.

…nada ainda na caixa de correios…

Sonho com meu dia – de noite infindável – sem tempo para tantos convites sociais e amigos verdadeiros, esportes radicais e saladas de rúcula com agrião. Redenção! minutos de sabedoria por uma vida sem limites. Cada vez mais tenho certeza: serei insubstituível, compreensivo com o ódio e paciente com a ignorância. Despertarei finalmente a omni consciência com metáforas de dias de sol iluminando conversas com animais e divindades.

“-Puta que o pariu!
O cachorro latiu.
Acho que são os Correios.
10 livros de auto-ajuda por 99,99.
Uma pechincha por uma vida de vitórias.
- Que bom!
Vou comer esse resto de macarrão.
Iniciar finalmente a leitura.
“- Um queijo?
Quem mexeu no meu jeito?
Será que meu pênis já aumentou?
Tá, vou começar…
Onde estão meus óculos?
“- QUE MERDA!
Comecei com a perna esquerda.
Esse bombom de chocolate é uma delícia.
“- MILAGRE!
Acho… pareceu.
Já me sinto um novo homem.
“- Que fome.
Onde está a balança?
ah! Vou ligar agora mesmo para a Bianca.

Lição 1: “Seja você mesmo.”.
(…)
Fudeu.

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Um Velho Deitado

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O velho rabugento deitado em sua rede na varanda tinha de velho as marcas da idade. Tão sábio que era criava seus ditos, e de tanto deitado, sem nada a fazer, pôs-se a contar os paus da canoa, semear vento e observar a tempestade ao redor. Viu o cachorro que foi mordido por cobra comer uma linguiça, sua velha com os dois olhos no peixe fritando e o gato preso. “Gato vagabundo!” que não serviu para caçar, mas sim vai comer! O velho deitado estava com fome mas não dispensava o tempero, pois pela boca morreu o peixe e casou o homem que vive para comer.


Ele sabe que devagar não se vai longe, e que depois de inventarem o preconceito, em terra de cego caolho virou deficiente: “(..) você gostaria de ter um terceiro braço para coçar a bunda? De que vale um olho pra jogarem pimenta?” Seu neto curioso_o_ouvia e o via como velho ditador: “Ei guri! Faça o que eu digo, o resto como convir. Olhe os dentes desse cavalo, ponha a colher onde eu quiser, traga um pouco do palheiro mas te cuida! a agulha pode espetar.”. O neto adoidado pegou a agulha e cravou no crânio do velho deitado.


Hoje 10 anos depois, a justiça tardou e o crime prescreveu. O neto homicida deitou na rede do avô e recordou. Eram águas passadas movendo moinhos à frente. “ah sábio vovô… lembro você com carinho , ralhando de noite: “Ei guri! É bom botar o carro na frente dos bois senão amanhã você não sai para trabalhar.”. Ah! vovô… você foi ao ar e nunca tomaram seu lugar. Ah!, seu velho deitado, vai se danar (…)”.
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A beleza surpreende.

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Raul

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Naquele dia de sol azul e calor de primavera Raul acordou cantando: “delelin delelin, quero-te pra mim… delilin delelin”.

Ah! Adélia, Adélia. Moça da classe média lageana, de olhar fundo, sorriso difícil, magrinha que parecia doente, é, realmente, ela não costumava chamar atenção na rua. Ou talvez chamasse passando em frente à construcao do novo centro comercial do bairro utilizando seu shortinho jeans azul piscina e salto plataforma. Aí sim! recebia assovios e cantadas de podres pedreiros em seus chinelos de dedo e rostos rotos e marcados pelo sol. Talvez sua mãe a achasse linda e o pai tivesse ciúmes. Mas Raul não enxergava ou não se importava e cantava chamando Adélia: “delelim, delelim, delelim, olha pra mim, não faz assim! Veja que eu te amo, para mim, delelim, delelim.”

- Haja paciência… E Raul nao parava mais. – POR FAVOR ADÉLIA! Faça esse bem aos meus ouvidos afinados! Beija o Raul, dá pro Raul, toca o Raul.

E foi tanta a cantoria que um dia Raul não mais sorria, nao mais dançava, nem taopouco cantava. Tinham lhe dito que ela estava enamorada de outro…

E por mais que eu tentava convencê-lo do contrario ele insistia: “mesmo que para você não, delelin delelin delelin da, realmente linda pra mim”.

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Então saí de casa…

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…mais aquele dia. Sem o sol, sem companhia, o dia só queria de mim a audácia que levasse ao deslize, a mentira que confessasse meus delírios e o ódio disfarçado em um sorriso brilhante. Incrível como eu fazia isso tão bem, o sorriso que não era forçado ou pintado, só era sarcástico em sua timidez e consciente de sua capacidade de persuadir.

E de tanto querer testá-lo novamente quando cheguei, foi que pus-me a olhar fixamente para um policial que organizava o trânsito na esquina do colégio de baixo. Olhei-o tão fixamente que ele não demorou para notar o meu ódio ameaçador, talvez sádico mas sim deveras homicida. Sua surpresa denunciou o seu medo e incompetência frente à segurança das crianças que atravessavam a rua na faixa de pedestres meio apagada, e isso deixou-me mais curioso para sorrir.

E no movimento que ele fez ao olhar para o lado e voltar a olhar, foi que eu já estava sorrindo de braços abertos com a desinibição de um velho sonhando com seu falo nova e quimicamente ereto comendo policiais à luz do dia, atrás do arbusto da praça.

Acho que ele notou meu tesão abusado e passou um rádio para o colega mais próximo, dando o local e a descrição do sorriso de um louco. Mas é claro: não ouvi sobre o seu temor frente ao ódio homicida e nem sobre a sua repulsa frente ao desejo do sexo proibido. “Como ele é pobre em sua vida.”, eu pensei. Ainda, vi no seu futuro um apito eterno para carros importados com madames, seus peitos de silicone, suas caras repuxadas e deixando suas crias mimadas em frente à porta do colégio particular.

Afinal, antes de chegar o reforço policial eu dei as costas e pus-me a andar. Melhor deixá-lo em paz – não tenho paciência com idiotas com cacetetes e também hoje não é dia de ménage à trois.

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Infinito particular

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Amor Latente

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E me levou para a casa dele, sem cuidado com o que estava fazendo. Nada excitante, nada para ver, nada a notar, não consegui fingir. Talvez a combinação dessa cortina desbotada com a mesa de madeira e vidro jateado. Seu mau gosto revelando-se naquela lembrança de Fortaleza sobre mesa ou talvez as duas tvs ligadas e os cabos do videogame espalhados pelo chão ou ainda o telefone perdido sob a pilha de papéis com anotações de anos atrás. Seriam números de telefones das antigas namoradas?

O tapete não deve ter sido lavado nos últimos anos e talvez devesse colocar um capacho para limpar os pés quando sujos de barro. O cheiro bolorento do sofá, possivelmente abrigando migalhas de comida como banquete para formigas, só era superado pelo que vinha do banheiro de porta entreaberta e tapete enrugado. Também não consegui não notar a louça no escorredor brilhando a óleo e que talvez todos os talheres da casa estivessem no escorredor. Aliás, ele não devia ter aberto a geladeira para buscar água na pet reciclada de gasosa e oferecido o macarrão com salsichas de trasanteontem.

Só uma coisa sorria, no canto da sala o que eu queria e esperava, brilhante e ostentosa, suplicante e gostosa, sacana, implicante, uma garrafa de cana, ah! essa cana. Como as coisas tendem a ficar mais agradáveis com ela, abrindo a janela, as portas e as pernas finalmente! Entregar-me àquele amor latente.

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Ciclo de Vida

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Nasceu na beira do mar, ganhou um calção e, por horas a fio, pôs-se a nadar. Primaveras, verões e alguns invernos gelados não bastavam para a natação. Aperfeiçoou-se. Sabia nadar e era só o que fazia, naquele mar de veludo, olhando as gaivotas, imitando os peixes e tudo o que se mexia. Como as ondas ele aprendeu a nadar. E nunca haveria de esquecer.

Cresceu e ganhou um pé-de-pato, queria mergulhar. Na sua adolescência descobriu a arte de olhar debaixo da água, de prender a respiração, de interagir com aquele habitat tão diferente e surpreendente e voltar surfando na onda. E tudo que fazia agora era nadar e mergulhar, e nunca haveria de esquecer.

E só nadando e mergulhando desde então, aos 18 anos ganhou um arpão. E na primeira manhã, às 9 horas, aprendeu a matar. Foi o mais fácil de aprender.

Então ele já sabia nadar, mergulhar e matar. Difícil foi só de esquecer, pois matando aprendera a morrer. E não deu outra, morreu bela boca.

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Não importa se você é o Rei!

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Bundelaire.com

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Beatriz andava sempre rebolando, da direita para a esquerda, da esquerda para a direita. Não sei se andava fazendo pose ou se ela era perneta, mas a danada estava sempre remexendo.

Quebrava o quadril pulando a poça, subindo a escada da igreja, esperando o ônibus em frente ao trabalho. E se ia de saia rodada, ela era o samba que fazia a rapaziada feliz. Ah! Beatriz! Veja o que você fez… Quantos moleques na rua eu já não vi imitando seu balanço, com as mãozinhas na cintura e biquinho de francês.

Você que sempre deixou a porta aberta com seu rabo grande, derrubava a velhinha da banqueta do SUS e colocava o fio dental com o primeiro raio de sol. Só que naquele dia eu fui certeiro, você tem – sim – é bicho carpinteiro.

* já estava com saudades de escrever, e lá vai o jabá de quem me inspirou: meumundonina.blogspot.com

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Aninha, não: Anão!

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Naquele dia, como usual, Ana acorda preguiçosa na sua cama kingsize, calça suas plataformas e caminha demoradamente até o banheiro do seu duplex. O ar seco e calmo que entrava pela janela semi-aberta daquela manhã de primavera inspirava uma sensação de inferioridade a mais, como se ela precisasse de ar seco para isso…
Era a mais nova de nova de 4 filhas e, desde pequena, sonhava em ser aviadora, andar de quepe e tayer, com estrelas no paletó e salto alto de grife. Seu pai, coitado, nunca soube o que era andar de avião, pois passava os dias entre pilhas de tecidos de sua alfaiataria. E Ana ficava lá cutucando, queria sempre o melhor vestido, o tecido mais brilhante, a mais cara confecção, o estilista mais famoso. “Deus me livre!” usar listas horizontais na estampa do vestido. Lera que decotes em V deixavam a pessoa mais alta, assim como “looks” de uma cor só alongavam as pessoas. Era mesmo um saco! Não se contentava com pouco, não se contentava com menos.
Já aos doze anos seu discurso era ensaiado: queria crescer, subir na vida, ter do bom e do melhor para morar, para comer, para dirigir, para vestir, para viver, para zoar. Acho que aí sua mania de grandeza já era maior que ela mesma, e crescia exponencialmente.
Aos quinze sonhava com o príncipe encantado, em um cavalo enorme, com um pau enorme, levando-a para um castelo ainda maior, a caminho do céu.
Aos dezoito já se contentava somente com um carrão e o príncipe encantado não precisava usar calça colada de cetim – mas quanto ao tamanho do castelo (e do pau) não mudara de idéia.
Surpresa! E não é que achou? Naquele dia de sol se casou para o espanto da sociedade conservadora. Uma cerimônia requintada e pomposa, com cascatas de camarão e veuve clicquot. Da limousine para o colo do seu marido, entrou no ninho de amor. “Mas que casa enorme!”. “Droga”. Ana não alcançava na pia, custava que custava a sentar na poltrona, a abrir a sacada, a subir na cama, a usar a privada. Saiu de seu mundinho particular e se viu como João (o do pé de feijão) na casa do gigante, e ela estava longe de ser uma harpa mágica. Sua vergonha crescia dia a dia até que sumiu naquela tarde de ar seco e calmo. Alguns me disseram sem um senão: “Ana morreu!”, mas como nunca vi enterro de anão, não sei que fim se deu.

Naquele dia, como usual, Ana acorda preguiçosa em sua cama “kingsize”, calça suas plataformas e caminha demoradamente até o banheiro do seu duplex. O ar seco e calmo que entrava pela janela semi-aberta daquela manhã de primavera inspirava uma sensação de inferioridade a mais -como se ela precisasse de ar seco para isso…

Era a mais nova de nova de 4 filhas e, desde pequena, sonhava em ser aviadora, andar de quepe e tayer, com estrelas no paletó e salto alto de grife. Seu pai, coitado, nunca soube o que era andar de avião pois passava os dias entre pilhas de tecidos de sua alfaiataria. E Ana ficava lá cutucando, queria sempre o melhor vestido, o tecido mais brilhante, a mais cara confecção, o estilista mais famoso. “Deus me livre!” usar listas horizontais na estampa do vestido. Lera também que decotes em V deixavam a pessoa mais alta, assim como “looks” de uma cor só davam ilusão de altura. Era mesmo um saco! Não se contentava com pouco, não se contentava com menos.

Aos nove anos já não atendida se a chamassem de Aninha. Aos doze seu discurso era ensaiado: queria crescer, subir na vida, ter do bom e do melhor para morar, para comer, para dirigir, para vestir, para viver, para zoar. Acho que aí sua mania de grandeza já era maior que ela mesma, e crescia exponencialmente.

Aos quinze sonhava com o príncipe encantado, em um cavalo enorme, com um pau enorme, levando-a para um castelo a caminho do céu. Aos dezoito já se contentava somente com um carrão e o príncipe encantado não precisava usar calça colada de cetim – mas quanto ao tamanho do castelo (e do pau) não mudara de idéia.

E de insistir não é que achou? Naquele dia de sol se casou para o espanto da sociedade conservadora. Uma cerimônia requintada e pomposa, com cascatas de camarão e veuve clicquot, Ana e seu gatão. Da limousine saiu no colo do seu marido e entrou no ninho de amor. “Mas que casa enorme!” – “Droga”. Ana não alcançava na pia, custava que custava a sentar na poltrona, a abrir a sacada, a subir na cama, a usar a privada. Saiu de seu mundinho particular e se viu como João (o do pé de feijão) na casa do gigante, e ela estava longe de ser uma harpa mágica. Sua vergonha crescia dia a dia até que sumiu naquela tarde de ar seco e calmo. Alguns me disseram sem um senão: “Ana morreu!”, mas como nunca vi enterro de anão, não sei que fim se deu.

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Enquando isso, no Século XXI

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…a história se repete em uma praia latina.

bardo moderno

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O Bardo Voyer

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Era um homem simples, aparentando 25 anos, cabelos emaranhados mas recém-cortados, que olhava fixamente a morena de vestido branco lá embaixo. Aliás, nada mal aquele vestidinho… minha primeira impressão é que ela deve ter tomado banho na última semana, com poucos cabelos entre os braços – e isso significa que sua xoxota não será tão peluda assim, com um olhar profundo e triste, aparentando uns 17 anos,… no máximo. Queria eu ter 25 anos.
Mas é claro que, para uma moça como ela, todo o conquistador que não se parece com o James Dean não merece mais que um olhar cruzado da primeira vez. Eu observava tudo rindo baixinho. Poderia ter sido eu o rejeitado.
Logo quando pensei em desviar a atenção, eis aquela coragem de jovem aventureiro e o rapaz decidido pôs-se a chegar mais perto. Talvez estivesse pensando em arriscar ao menos um esfregão enquanto a multidão se acotovelava a sua frente, em torno daquele palco que ostentava uma fogueira central na popular festa dominical. Era lá que estava a morena, e bem que poderia ter sido eu a ter essa coragem.
Abri meu olhar e estava formada a cena: vendedores de frutas que disputavam inutilmente a atenção do povo – e que povo feito – muito mais interessado nos vendedores de vinho doce, duas crianças se acotovelavam como irmãos ao lado de uma senhora, vermelha de vergonha, que ralhava com eles, e aquele homem de máscara no canto do palco: parecia ter saído de teatros pornográficos de segunda categoria, com o peito a mostra, as costas peludas, correntes enferrujadas na mão e um olhar que tentava mentir estar com sede de sangue. O tédio predominou por um minuto e eu quase perdi meu casal.
A morena estava olhando para trás, talvez arrependida de não ter respondido ao flerte, ou talvez, e dessa vez, não se faria tão difícil assim – mas não achou o atrevido rapaz, que andava contornando o palco. Um bêbado apaixonado (e isso é quase um pleonasmo), encantado, esperançoso e convencido (!!), enche-lhe um copo de vinho, e uma gota atrevida cai sobre o seu vestido. O vendedor de tomates não consegue desviar os olhos daquela gota. Mas ela só olha o palco agora pois o homem mascarado fita-a quase sem expressão. O povo aperta mais e começa a cochichar.
O rapaz apressou o passo e agora estava a alguns metros da morena, se aproximando. Senti seu tesão nos olhos. Ele respira profundamente, abre o cordão de suas calças, aproveita mais um movimento da multidão e abraça a pretendida já com o membro duro. A morena, surpresa, arregala os olhos. A multidão, aplaudindo, ri da fogueira que foi acessa. A moça pensa: “antes trepando do que na fogueira com mamãe” e relaxa para o orgasmo total. A multidão aplaude, a bruxa morre, o algoz chora, a morena sorri e o rapaz goza. Poderia ter sido eu o gozador.
Ai como eu gosto do século XIV. Todo o dia é dia de trova.

De longe consegui captar aquele momento. Aquele flerte sutil e envergonhado, o início do fato.

Era um homem simples, aparentando 25 anos, cabelos emaranhados mas recém-cortados, que olhava fixamente a morena de vestido branco lá embaixo. Aliás, nada mal aquele vestidinho… minha primeira impressão é que ela deve ter tomado banho na última semana, com poucos cabelos entre os braços – e isso significa que sua xoxota não será tão peluda assim, com um olhar profundo e triste, aparentando uns 17 anos,… no máximo. Queria eu estar ali, queria eu de volta meus 25 anos.

Mas é claro que, para uma moça como ela, todo o conquistador que não se parece com o James Dean não merece mais que um olhar cruzado da primeira vez. Eu observava tudo rindo baixinho pois, dessa vez, poderia ter sido eu o rejeitado.

Logo quando pensei em desviar a atenção, eis emergente aquela coragem juvenil quando o rapaz, decidido, pôs-se a se aproximar. Talvez estivesse pensando em arriscar ao menos uma boa conversa ou talvez um esfregão gostoso. A multidão se acotovelava a sua frente, em torno daquele palco que ostentava uma fogueira central – a popular festa dominical. Era lá que estava a morena, ao lado do palco, e bem que poderia ter sido eu a ter essa coragem de chegar.

Abri meu olhar e estava formada a cena: vendedores de frutas que disputavam inutilmente a atenção do povo – e que povo feio – muito mais interessado nos vendedores de vinho doce, duas crianças se beliscavam como irmãos ao lado de uma senhora de azul, vermelha de vergonha, que ralhava com eles, e aquele homem de máscara no canto do palco que parecia ter saído de teatros pornográficos de segunda categoria, com o peito a mostra, as costas peludas, correntes enferrujadas na mão e um olhar que tentava mentir estar com sede de sangue. O tédio predominou por um minuto e eu quase perdi meu casal.

A morena estava agora olhando para trás, talvez arrependida de não ter respondido ao flerte, ou talvez, e dessa vez, não se faria tão difícil assim. Mas não achou o pretendido que eu duvido que ela se lembrava como era. Um bêbado apaixonado (e isso é quase um pleonasmo), encantado, esperançoso e convencido (!!), enche-lhe um copo de vinho… uma gota atrevida cai sobre o seu vestido branco. O vendedor de tomates não consegue desviar os olhos daquela gota e coloca a cesta na frente da calça. Mas ela só olha o palco agora pois o homem mascarado fita-a sem expressão. O povo aperta mais e começa a cochichar.

O rapaz apressou o passo e agora estava a alguns metros da morena, se aproximando. Senti seu tesão nos olhos. Ele respira profundamente, abre o cordão de suas calças, aproveita mais um movimento da multidão e abraça a pretendida já com o membro duro. A morena, surpresa, arregala os olhos. A multidão, aplaudindo, ri da fogueira que acabara de ser acessa. A senhora de azul, atenta e safada, pede um tomate. A moça pensa: “antes aqui trepando do que na fogueira queimando com mamãe” e relaxa para o orgasmo total. Eu vendo tudo isso, a multidão aplaude de pé, a bruxa morre queimada, o algoz chora de lado, a morena sorri arrepiada e o rapaz goza extasiado. Bem que poderia ter sido eu o gozador.

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Enfermo Star

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Michel não podia sair de casa. Não podia apanhar sol, andar descalço, tomar banho de mar, tomar um pouco de ar. Dizia ter uma doença, que ora era frescura, ora era injúria, ora era loucura. Os vizinhos comentavam nos jornais e os jornalistas aumentavam para não ficar atrás. Chamavam a tevê, o rádio e os blogueiros, que de tanto chamar, não carecia mais. E vinha a polícia, a igreja e o governo, uns não ligavam, e outros fingiam, o importante era saber do enfermo, coitado ou culpado, que seja.

Se tinha um furúnculo no pé, ou uma dor de cabeça, um padrasto maluco ou um brinquedo legal. Se tinha uma mulher que não amava, ou uma criança levada, se tinha um pavor do escuro, ou de porta fechada. Não importava: ele tinha que ter.

Um dia, só de raiva, dançou e dançou sem parar, por dias. E de tanto dançar, definhou e morreu.

No seu enterro, os vizinhos chamaram jornais, vieram a tevê, o rádio e os blogueiros, a polícia, a igreja e o governo, aliás, nada como um dia depois do outro.

Homenagem a Michael Jackson

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Cada um com seu estilo.

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Soninha, tá na hora.

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Soninha já era famosa por não conseguir ficar acordada. Por mais que tentasse e se esforçasse, lá estava ela de olhos baixos, avermelhados e sonambulentos. Parecia ter sido hipnotizada pela TV na sua infância, permanescendo até os dias de hoje. Constrangedor era no banco da praça e na fila do banco, domingo na missa e com a pedra de bingo na mão (sua tia nunca a perdoou por ter perdido a cafeteira na quermesse). 

E naquele dia ninguém conseguia acordá-la. 

Soninha foi encontrada deitada, nua em sua cama, na cobertura de seu apartamento na Avenida Paulista. O celular avisando as dezenas de ligações não atendidas, o despertador já sem corda, o sol batendo sem prosa na janela do banheiro, e ela nem se mexia. Seu vulto sereno atrás de um belo mosquiteiro branco, que mais esquentava do que protegia, era um corpo deitado em caros lençóis de seda e travesseiro baixo, e lá estava, com as mãos sobre o ventre, um olhar sereno como se descansasse na morte que aliviara sua vida estressada, enquanto respirava lentamente. Ai que bom que ela respirava!

Talvez fora picada pela tse tse pois nem o rush da Paulista às oito da manhã, nem o sino da catedral badalando na igreja – que hoje só serve pra isso – nem o apito do grevista pelado e pintado em amarelo correndo da polícia, nem o palavrão do motorista parado no cruzamento conseguia incomodá-la, nada a acordava. Soninha estava em seu sono profundo.

A única pista que eu tinha era aquela estranha maçã, mordida, ao lado da cama…

…bem que Soninha poderia ter feito o buço na noite anterior.

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Klimt ao Clic

Fotos de Bondelaire 2 comentários »

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من اليمين إلى اليسار

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من اليمين إلى اليسار

ثمة في قصيدة النثر ، هو مظهر من مظاهر الاشتراكية.

 

provérbio árabe do BonDeLaire

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Quando mil palavras valem por uma imagem

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* criado com Wordle

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Clara

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Lá vinha Clara, a minha negrinha predileta. Canela fina, carinha de safada e bunda arrebitada. Coisa mais linda! Dançava até com assovios, e como os ouvia, viu, viu. Cabelo emaranhado, shortinho azul, regata branca sem soutien, lá vinha Clara torcendo pescoços e causando de brigas conjugais.

Naquele dia, o mais sério soltou uma cantada infame pra Clara, o mais triste sorriu para Clara, o mais convencido curvou-se para Clara, o mais imbecil recitara Drummond e o mais feio passara baton. Naquele dia o mais sujo tomara banho, e passara perfume só para Clara, o mais rico prometeu uma boa ação, e o mais pobre financiou uma mansão. Naquele dia o mais tolo pregou uma peça, o mais religioso falou palavrão, e eu, como também não me contive, tive uma ereção.

Ah! Clara, atravessou distraída a rua, dançando com a buzinada do Pegeout, mas infelicidade, uma Mercedes a matou. E que Mercedes! Branco como a neve, esportivo como um cânion. O mais simples invejou aquele carro, o mais jovem disse que ia ter uma quando crescesse, e o mais baixo cresceria um montão, e eu, como não me contive, tive outra ereção.

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Santa Teresinha, Santa

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Teresinha tinha tanto tempo na sua vida que parava a toda hora para se preocupar,… com a vida dos outros. Quem me dera ter esse tempo, mesmo que só para pensar.
Ela era amiga, a melhor amiga, e de todos. Desdobrava-se, cancelava seus próprios compromissos, passava noites em claro só para ouvir lamúrias de seus conhecidos. Que alma boa: filtrava os maus agouros, negava as más línguas, revirava a má intenção e ia contra qualquer maré para protege-los.

Isso é certo não sei, mas é claro que infindáveis vezes se arrependera, apunhalada pelas costas ou pela frente. E ai que coceira na orelha! Estavam falando dela, é claro.

E chegou sua vez de estar mal. Perdera o emprego por faltar demais, e o marido e a guarda dos filhos por uma maternidade despreocupada. E agora estava sozinha. Eu te falei Teresinha!

Dos seus amigos, metade a negou por 3 vezes naquela noite, outros tantos a conheciam mas diziam não serem íntimos o suficiente e alguns outros não tinham tempo para ajudá-la, pois haviam marcado compromissos. Tinham até aqueles que nunca gostaram dela mesmo, e para eles Terezinha nem ligara, mas um deles, ah, o Ivan, virara diretor executivo da Sul América. Perfeito! Vá pedir ajuda!

Mas infelizmente Ivan não pode ajudar. Ele não vende seguros para desempregados.

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Claustrofobia Mental

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Ester falava tudo em sua vida para todos em sua volta. Não conhecia guardar segredos, não aguentava ficar calada, não conseguia não ser sincera. Ester externalizava tudo que ouvia, sentia ou percebia.

Ester contava tudo em sua volta para todos em sua vida. Claustrofóbica mental, não suportava a idéia de ficar presa em seu próprio mundo sagrado, e abria os portões para toda a energia que pudesse trocar ou doar.

Mas de um resfriado danado, e quando perdeu a voz, de tanto tremer, pôs-se a escrever. Palavrões e vreados rasgavam seu bloco de notas como se queimando de ódio. Até quebrar os dedos.

E começou a piscar os olhos em morse, balançando seus ombros. Ninguém entendia. E mesmo cansada, batia com a cabeça no tambor, chocalhos no joelho, cornetas nos pés, mas ninguém entendia. Escuridão. Pânico. – Ester, histérica Ester, acorda mulher!

Mas eis que coisa, uma gaita em sua boca! e Ester soprou um sopro de vida.

Ahh… uma gaita. Ester, Ester, agora eu entendo o seu blues.

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Autobiografia

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Quando nasci descobri que o céu é azul, e que existe céu e que o seio da minha mãe era fonte de alimento e amor. Descobri que a música é mais linda quando se entende um pouco de música, que a arte como um todo é mais linda quanto mais entendemos dela. E que a cerveja não é tão amarga quanto da primeira vez que tomei, e ainda faz o céu mais azul e a música mais bela. Que a doçura é mais doce do que quando criança eu provei e que ela ainda vai me matar.

Também descobri que um sonho deve ser perseguido, e cansei de escutar que é 10% de sorte, por vezes não merecida, e 90% de suor, e melhor que seja o suor dos outros. E que preciso de 4 coisas para ser feliz de corpo e alma: Ritmo, Equilíbrio, Reflexo e Fé.

Depois descobri a pornografia na Web (…)

* participação, mais que especial, deBarrose

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Peter mais que perfeito

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Nada estava bom para Peter. Nem seu trabalho ou sua vida, nem seu cabelo ou sua roupa.
O cara era mesmo chato e birrento, reclamão e briguento. Refazer, reestruturar, redesenhar, reescrever, revisar, recalcular, remodelar, remendar. Nunca findava o seu trabalho, nunca cumpria um prazo, nunca entregava só o que era pedido – aliás, nunca entregava nada. Precisava remoer, reviver, revirar, retocar toc toc.
E foi assim sua vida toda, de emprego em emprego irritando chefes, clientes e colegas. Quando entregava algo, a contragosto, estava semanas atrasado.

A sua morte nem foi prestigiada. Pensavam que ia ser revisada e teriam oura chance de velório,… mas não foi. Talvez a única vez que ele terminou na primeira tentativa…

Na sua casa foi revelado seu hobby, a pintura. Tinha 1 quadro no centro da sua sala, belíssimo, fascinante. Aliás, tão fascinante que o seu irmão não conseguia parar de olhar, e o zelador do prédio também, e a multidão que, pouco a pouco se aproximava… olhava olhava. Era mágico como o de Dorian Gray, inovador como a Monalisa, assustador como no renascimento, perfeito como Peter sempre quis ser!
Seus traços, suas cores, esplendor, esplendor!! E no rodapé, a assinatura original e que não deixava dúvidas do autor: Inacabado.

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Cada um para o seu lado

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Laudares, coitado, tinha um tique nervoso. Não conseguia andar pra frente… só de lado, ou de costas.

Caminhava pra um lado, pro de trás, proutro lado, pro lado de lá. Não conseguia andar pra frente como gente comum… de jeito nenhum.

Procurou um psicólogo ou aliás, uma psicóloga, Letícia, recém-formada, que buscava firmar sua carreira e atendia ainda sem consultório:
- “Venha”, disse a psicóloga, “Vamos caminhar no parque e conversar”. Laudares ficou fascinado. Letícia era deliciosa.

Então saiu com ela caminhando, como habitual, de lado e cantando. E com os olhos nos olhos passou a hora da consulta inteira. “Fantástico! Atencioso!! Maravilhoso!!! … Ai, que homem diferenciado”, disse (!) Letícia.

Casaram-se, e hoje Laudares anda, protegendo aquela bunda… maravilhosa. ‘Que saco, não dá nem pra dar uma olhadinha sem ele me olhar de lado.

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Shakespeare revisitado.

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Em homenagem ao novo layout do BonDeLaire…

Ela gostava do dia. Aliás, só gostava do dia. A noite passava  dormindo, sonambulando, amando o seu colchão, babando seu travesseiro.

Comportamento diurno que veio na adolescência. Seus trabalhos iniciavam logo após o nascer do Sol e findava antes do anoitecer. Amava o Sol e o calor do dia.

Parceira dos atletas e das árvores, não levava seu celular sob o risco da temida noite. Mas, estranhamente, e mesmo ante seu comportamento arrediu, tinha muitos amigos, namorados e grupos sociais.

Ele gostava da noite. Aliás, só gostava da noite. O dia passava dormindo, sonambulando, embaixo do edredom, amando seu travesseiro.

Comportamento notívago que veio na adolescência. Arranjando trabalhos noturnos, fugia do dia como gato da água fria. Ojerizava o Sol e o calor do dia.

Parceiro dos insones e baladeiros, atendia o celular sempre disposto e solícito por interação. Mas, estranhamente, e mesmo ante seu comportamento gentil, não tinha muitos amigos, namorada ou grupos sociais.

E se apaixonaram… coisa da vida. Foi num desses finais de tarde que começou, e na manhã acabou.

Não sei muito bem o porquê, mas desconfio que, afinal, um vampiro tem que se alimentar. E por seu amor, que mal teria um breve banho de Sol matutino? – quando dois amantes tornam-se um… punhado de cinzas.

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Cemporcento de atenção, cemporcento do tempo

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Tommy, loiro, alto, bonito e simpático, é daqueles chatos. Tem gente que só de vê-lo em sua direção já vira de costas, finge que esqueceu algo, disfarça e muda de caminho. Eu mesmo digo estar sempre com pressa e atrasado para a reunião. Pena que isso não adianta. Ele te acha, chega babando, cutucando passando a sua frente. Precisa ser notado, precisa ser ouvido, precisa sentir a sua atenção! E eu sempre amoleço, e todos sempre amolecem.

Deve ser porque Tommy é loiro, alto, bonito e simpático. E é daqueles que sempre chegam e chegam a toda hora. Parece estar esperando por você, babando, cutucando e passando a sua frente. Se você muda o passo, tropeça; se o adianta, ele quer saber porque. Mas eu sempre amoleço, e todos sempre amolecem.

Dia desses não teve jeito. Eu estava saindo de casa e lá veio ele com aquela carência de atenção. E cutucou, e se colocou na minha frente. Eu olhei pra ele sincero e, com todas as palavras grite: “PUTA QUE PARIU!! Tu és chato, hein?!”. Ele olhou pra mim, baixou o olhar e disse só uma só: Au. Eu sempre amoleço. Todos sempre amolecem.

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Dezoito anos

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Júnior vivia à sombra de seu pai.
“Quando ele crescer vai ser igual ao pai!”. Não aguentava mais escutar isso. Já não bastasse seu nome igual – com o estúpido Júnior no final – ainda tinha que aturar piadinhas, comparações e aquele apelido de Juninho.
Seu pai, culto professor universitário, centenas de artigos publicados, outras tantas palestras internacionais proferidas e vomitadas, quinze patentes de produtos e batalhões de bolsistas gerando conteúdo de pesquisa, carregava consigo o ar de superioridade boçal que só um professor que acredita dominar o mundo consegue exalar.
Júnior não era nada disso. Gostava de jogar fliperama e conversar pelo Orkut. Discutia rock’n'roll e usava franjinha oxigenada, coitado.

Mas eis que Bob Pai morreu… e deixou uma gorda herança para Júnior. Hoje Juninho evoluiu! Joga fliperama, conversa no Orkut, discute rock’n'roll, pinta a franjinha e gasta muito dinheiro com prostitutas e whisky 12 anos.
18 anos, por favor.

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Paredes

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Paredes, garoto simpático e atencioso, mas tão covarde quanto um filhote solto na estrada em Dia de Finados. Tinha um medo doentio de morrer! Tinha um medo assustador de se arrepender! Tinha medo de qualquer animal e medo de se dar mal. Tinha medo do muito escuro e do muito claro. Tinha medo do lado de fora e do lado de dentro. Tinha medo de poetisas e de obras de arte renascentistas.
Paredes, virgem Paredes, tinha medo de mulher mas também o tinha de homens. Tinha medo de se apaixonar e não ser correspondido, medo de se danar e não ser acudido. Andava em círculos na mesa da sala, cuidando a canela, pensando se na geladeira haverá de faltar comida. Tomava banho de chinelos de borracha, e ao acordar, ficava 20 minutos deitado para evitar câimbras matinais.

Naquele dia não conseguiu sair de casa. Tinha medo. Não conseguia passar da porta, não conseguiu abrir o trinco. Não conseguiu tocar no trinco. Ficou com medo de ficar para sempre sozinho. E foi ficando. E pensou, e pensou, e ficou com medo de perder o medo, e com ele sua personalidade. Parou… e até hoje não mais se mexeu.

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Salve Maria

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Maria aceitava tudo: o que queria e o que não queria. Dizia que a hora dela chegaria. Queria um tempo de folga, mas aceitava ficar trabalhando. Queria um carro bonito, mas aceitava um sapato bonito – ou ao menos confortável. Queria que seu marido fosse carinhoso, mas aceitava sessões de agressão. Queria vestir fiorucci, mas aceitava seus trapos de bom tom.

Maria aceitava de tudo mesmo! Dizia que a hora dela chegaria. Queria um jantar a luz de velas, mas aceitava-o quando faltava eletricidade no barraco. Queria um telefone celular, mas aceitava a cara feia da vizinha fuxiqueira (que tinha telefone) passando o recado. Queria filhos estudiosos, mas aceitava-os desleixados. Queria andar de avião, mas aceitava ainda a condução.

Maria aceitava de tudo mesmo, dizendo que a hora dela chegaria. E chegou: morreu na segunda-feira passada.

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Maracujina

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Quer ver uma coisa que me deixa nervoso é me chamar de “nervosinho”. Talvez seja por causa da ansiedade e da intolerância, ou ao menos é isso o que dizem. Espero alguma coisa e, quanto mais perto do prazo, mais ansioso eu fico. E quando vem, quase sempre não me satisfaço, sempre insatisfatório! medíocre! ridículo! e isso acabava com meu dia e com o dia de quem estiver ao meu lado.

Tinha que acabar com a ansiedade, e agora tudo há de mudar! Plantei um pé de maracujá, mudei-me para perto do mar. Entrei no Yoga, ganhei um cachorro e um saxofone e proso longas conversas comigo mesmo. Incrível como a ansiedade ficou de lado.

Quanto à intolerância… bom…, você é um completo imbecil se você não entendeu o recado. A intolerância é a minha natureza, e se ninguém pode ir contra a sua: quem serei eu para tentar. E se me chamares novamente de “nervosinho”, eu não me importarei se tiver que esperar uma semana para chutar sua cara. Paciência é minha conquista! ou seria a dessa caixa de Lexotan vazia? VAZIA??!! Aaahhh, fodeu!

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Luxúria

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Aquela cidade era quente. Dia e noite não havia um lugar que não deixasse você todo suado, melado, fedido.

Maurício, quando chegou vindo de longe, duvidava que um lugar daqueles existiaria. Estava mais de 40 graus e nem sinal de uma praia. No meio da rua, um rodamoinho de poeira com o bafo que vinha de todos os lados. As pessoas, quase sempre cabisbaixas, vagarosas, passavam por ele e desviavam os olhos quase como envergonhadas.

Realmente só descobriu o nome da cidade quando viu aquele homem todo de vermelho e com rabo em forma de seta.
Lamentou: “PUTA MERDA! destrui minha Ferrari!”

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Crescimento Pessoal

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Paty só dizia: “Quando eu crescer, quero ser igual a você…”.
Mas o que Paty não sabia, é que já era crescidinha. Queria andar no pedalinho, ou então algodão doce, queria aquilo tudo que ninguém achava que uma menina daquele tamanho deveria querer.

Por que Paty quereria algo tão simples se, hoje, bastaria casar com o nobre Sr. Leonardo? Afeiçoado, de boa família, um aristocrata de bens com origens duvidosas. Por que Paty deixaria de querer tal carinho? Poderia ter alazões, mas queria pôneis. Assistiria ao show do Lou Reed em Nova Iorque, mas queria um adesivo da Sandy autografado.

Sua mãe a questionava, e seu pai… preferia não comentar. Sua avó cobria Leonardo de mimos, com bolinhos de chuva e pães caseiros da horinha. Chamava-o “meu netinho”! E Paty parecia fingir que não entendia.

Bom, deve ser porque ela gostava mesmo era do Marcus André, aquele moreninho, que senta na fila da janela da sua sala, na 6a série do colégio estadual.

Bom, particularmente, acho que o Marquinho não tem chance…

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Filho da Luz

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…já estava com saudade dos épicos. Voou!

No antigo Egito, bem antes de Cleópatra e aquele rolo todo com o César, vivia Animelviz, o Mago. Nascera pouco depois que os primeiros egípcios vieram do espaço. “Filho direto da luz”, disse ele nos momentos de pregação.

Naquele verão a fome era de seu povo mas, com um gesto, fez o Nilo subir, e viu o deserto florir pela primeira vez. E o povo aplaudiu, cantou, dançou, comeu, bebeu afinal, tudo que tem numa boa festa. No auge da bebedeira Animelviz virou o primeiro faraó para reinar a paz e a música. E depois de 1000 anos decidiu que seu povo estava pronto para evoluir sozinho, e se despediu… numa grande festa.

Bom, ao menos foi isso que ele me contou na sexta passada naquele boteco escuro. Ele preferia não chamar atenção desde sua última aparição pública, na qual teve que fingir a morte. E vide que interessante: desde a antiguidade já é sabido que Elvis não morreu.

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Indubitavelmente

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Eu prefiro as mulheres. Ah! as mulheres. Toda aquela delicadeza, maciez e beleza. Se bem que o homem também é belo. Então… acho que por vezes prefiro os homens. Ah! os homens. Todo aquele humor constante e companheirismo. Se bem que as mulheres também são companheiras.

É. Acho que prefiro as mulheres. Ah! as mulheres. Aqueles seios sensíveis, beijo suado, aquele amor invisível. Se bem que o homem também ama. Então… acho que por vezes prefiro os homens. Ah! os homens. Toda aquela concentração, força e disposição. Se bem que as mulheres também são fortes.

É. Acho que prefiro mesmo são as pessoas.
Se bem que, as vezes, prefiro os coelhos.

* homenagem à Helga Rogatchio (ah! os coelhos).

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Palmas por educação

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Tic clip tip clic
Tic, tic, tic, rrrrr
- Bla, bla, bla, bla
Cof, cof
- Bla, bla, bla, bla
Tic, tac, tic, tac
- Bla, bla, bla, bla. Muito obrigado pela atenção.
Clap, clap, clap, clap
zzzz ã?

… tem gente que se supera,
e nosso papel é reforçar esse sentimento…

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O Caminho do Bem – v. BonDeLaire

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O Caminho do Bem é Psycional.
(clique no PLAY e aguarde! espero que não enrole no cabeçote dessa vez.)


Bondescutaire e Tim Maia

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Chiiiicooooo

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A vida não parecia tão difícil para Chico. Ou ao menos era assim que chamavam Chico Sorriso.

Chico nascera iluminado! Todo o lugar no qual aparecia, logo de sorrisos se enchia. Chegava beijando, abraçando, dando risadas altas, prendendo a atenção de todos com sua envolvente oratória.

Isso tudo aconteceu até ele entrar numa dessas igrejas que têm em todas as esquinas.
Chico sumiu! Chico sumiu!
Ai! que saudades do Chico. Hoje, Pastor Sorriso cobra para me deixar feliz. E pior que isso… eu pago.

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Aloísio Passos

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Aceitar tudo o que vem, sem reclamar, sem nem ao menos contribuir com novas idéias. Lá vem o Aloísio em passos largos e de cabeça baixa.

Passos, o passivo como chamavam, vivia levando bronca da esposa. Aliás, do vizinho, do motorista do ônibus, do chefe – e esse então nem se fala! Do tio da padaria, do carteiro e do cachorro que latia.
Na verdade, acho que Passos não sabia falar, ou ao menos nunca ninguém acusara tê-lo ouvido. Talvez nem sua esposa conseguia ouvi-lo, pois ele mal mexia a boca para mastigar…

Mas de tanto reclamar de dores nas costas, um dia foi ao médico e achou sua explicação: Aloísio nascera com o pescoço curto na parte da frente.

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Claustrofocamentebia

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Por maior que pareça ser o universo, Klaus sentia-se preso. Seu loft de 300 m2 era dividido por móveis baixos, detalhes na decoração e tapetes lisos, mas isso não era suficiente para o seu conforto. “Quem inventou portas de banheiro?” – perguntava entre tetos retráteis e carros conversíveis – aliás, se não fosse conversível preferia andar à pé. Não sabia o porquê desse sentimento, e nesse momento, odiava-se por manter a dúvida presa em si – talvez as dúvidas sentissem o mesmo que ele…

E de tanto assim pensar, pensou estar preso em suas próprias idéias. A lua presa na noite, a noite presa entre dias, os dias presos no tempo, o tempo preso nas horas. Ninguém mais agüentava Klaus, o claustrofóbico. Foi ao bar e abriu a primeira garrafa de whisky da noite. Imediatamente concluiu que não podia deixar todo aquele líquido preso dentro da garrafa… e, pensando nisso e nas outras garrafas do bar, passou a esvaziá-las uma atrás da outra. Ufa!

Completamente bêbado, com a barriga estufada, pensou em todo aquele líquido preso dentro dele e tonteou. Tonteou uoetnot e vomitou… e vomitou como nunca. E de tanto vomitar, vomitou até virar do avesso. Finalmente saíra de dentro de si mesmo – Klaus agora estava livre. Ah! se ele soubesse disso antes.

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Prosa que não era prosa

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Em um tempo que não era há tempos, tinha um homem que não era homem, em uma casa que não era bem uma casa, falando uma língua que eu não entendia. Ele vestia uma roupa que não era bem uma roupa, com um chapéu que não tinha abas e fumava um cigarro que não era desses que se conhecia.

Esse homem não atendeu quando chamei seu nome, pois não era o nome chamado aquele que ele dizia ser do homem, mas me atendeu melhor do que eu esperava ser atendido quando não chamei o seu nome, mas sim sua atenção.

Susi, o travesti mais antigo daquele bordéu sujo, fumava um baseado vestindo roupas infames e sua peruca loura black power predileta. Sussurava um “vamos vamos vamulá pra dentro” ao pé do meu ouvido. “Vamu lá fazê amô – que naum é amô. Só que eu cobro dinhêro, mas pra ti não é dinhêro.”

Acho que a única coisa que era de verdade, e que outrora queria que não fosse, era que eu estava ficando de pau duro. E pior, eu tinha cartão de crédito que tinha crédito e tinha tempo que era bastante tempo… e tinha vergonha que não era vergonha.

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Pacifiquez

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Leonildo Pacífico morava no Egito. Leonildo o querido, o belo.
Não bastasse o seu dia trabalhado e suado, durante a noite pacientemente ficava sonhando em ser o grande Líder da sua tribo. Só Pacífico traria a Paz! Tinha em seu nome o destino do povoado e em sua voz o clamor do sossego.

Mas Leonildo Pacífico decepcionou-se naquele dia, quando seu melhor amigo elegeu-se para ocupar o almejado cargo. “O desgraçado safado sabia. Sabia que eu sonhava ser o Líder! Traidor! TraiDOR… TRAIDOR!”

Pacífico como só ele, buscou seu machado de estimação e, em só golpe, arrancou o braço direito do ex-amigo que vinha ao seu encontro compartilhar o vinho da vitória. Pois e logo depois, pacificamente, degustou o vinho.

Não há como duvidar: a situação é sempre única.

* uma homenagem à Leandro Pacífico, que após perder o emprego, ateou fogo no local onde trabalhava e depois suicidou. A situação é única, e essa ele não faz de novo.

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Glória Reis

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Glória, oh Glória! Não se preocupe demais, você vai vencer…
(clique no PLAY e aguarde! espero que não enrole no cabeçote dessa vez.)
Glória Glória! Você vai vencer!
Bondescutaire y Hombre sin Nombre

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Simplesmente: Arrigo

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Aquele arrogante passou por aqui” – era só o que se escutava do povo daquela cidade, pois a novidade do dia era que Arrigo perdera o emprego.

Pudera, ” O chefe não soube explorar meu potencial!”, saiu enchendo a boca, e logo vangloriava-se, pois agora poderia iniciar uma caminhada. E caminhada seria bem o termo, pois o dinheiro acabou, e até mesmo para o ônibus ficara difícil. Boa chance para criticar o governo pelo “passe livre aos desempregados”, um problema de cunho social, mas logo vangloriou-se, pois agora poderia “manter as pernas mais belas e exercitadas da cidade”.
Num dia criticou o da padaria, que não fiava antigos clientes, vangloriando-se que em pouco tempo a compraria, e demitiria todo mundo, menos a moça do caixa, “que é apaixonada por mim”. Pois se era, naquele dia chegou em casa e sua mulher o abandonara. “HAHAHA, realmente não conseguiu aguentar o tamanho do pinto do Arrigo!”. Mas na tristeza de seu sorriso adoeceu e morreu em dez dias…

No seu bilhete de despedida não queria que espalhasse a notícia de sua morte, pois não gostava de ver muitas pessoas chorando, e também não queria prejudicar a economia da cidade com o luto… Se contentaria com um busto na praça central: “Arrigo: simplesmente Arrigo, o piadista diário da desgraça própria, afinal, brasileiro”.

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Quando um é pouco e dois é bom.

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O casal era tão bonito, tão bonito, que dava vontade de desmanchar…
Mas só para fazer um triângulo… e não é que tinha alguém que pensava nisso!

O dia todo, todos os dias. Não era apaixonada por um ou por outro: era apaixonada sim pelos dois juntos. Talvez pela energia que circulava entre eles ou quem sabe pelo carinho que tinham um pelo outro.

Bom, de qualquer forma Iara queria fazer triângulo. Falava do mundo tridimensional e de Pitágoras, pois considerava-se uma hipotenusa, ou hipotemusa utilizando o trocadilho (o porquê de todo o trocadilho ser infame) que ela mesma espalhava em segredo. Quando dava em samba, sentia-se a cuíca do Trio Mocotó.

E sem folga: cinema, teatro ou jantar, ela sempre dava um jeito de estar no meio dos dois. Mas em uma crise de ciúmes Iara virou estopim. E isso não terminou bem.
Iara tentou, era de se esperar, e piorou a situação, era de se prever. Hoje, do casal tão bonito. só a fotografia.

E de Iara?
Ah sim! ela está ali na sala com a minha esposa… conversando sobre esse assunto… há 27 dias.

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A Desesperança

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Nascida prematura, se havia uma coisa que Esperança odiava era ter que esperar. Seja o tempo que fosse: uma hora, meia hora, cinco minutos (salve Jorge). Talvez fosse por isso que sempre chegava atrasada aos compromissos – pois só assim era garantido que não esperaria.
O rol de desculpas de Esperança passava pelo engarrafamento na ponte ao relógio que não despertara. Sua chegada, sempre triunfal, refletia a angústia nos olhos dos des esperados.

Pegar ônibus? Nem pensar… Elevador? Se não estiver parado no andar preferia as escadas. Talvez também por isso nunca se interessou em ter filhos. Nove meses!

No carnaval passado ela brincou. E como era de se esperar, na sua angústia saiu com o primeiro homem que nela chegou… em todas as noites. Um mês depois não conseguia mais dormir e foi fazer o teste. Devia ter esperado ele colocar a camisinha. E para não ter que esperar a cura da aids, pulou na frente do trem que, acredite se quiser, estava no horário.

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Reino de bobos

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Disseram por aí que há muito tempo, em um reino desconhecido, um fato curioso ocorreu. Desses que se contam nas historinhas para ninar adultos.
Naquele reino havia um Bobo. Isso mesmo! Daqueles com chapéu de estrelas e roupas multicoloridas, e que teimava em não ser engraçado. Ele dizia em todos os cantos: “Eu já sou bobo, por que ainda tenho que ser engraçado?”.
Sendo ou não sendo engraçado, ao menos o Rei estava satisfeito. Passava o dia tirando sarro do Bobo enquanto este, por sua vez, demonstrava não ter senso de humor. O Bobo queria mesmo eram roupas de seda chinesa, jantares na mesa real e privilégios sexuais com as cortesãs.

Eis que um dia o Bobo começou a dar ordens aos súditos. Dizia ter influência e o respaldo do Rei. Ele vinha andando e apontando para os colonos: “Hei você! Vire dez cambalhotas duas vezes por dia aqui no parque: ao amanhecer e ao anoitecer. É uma ordem para aumentar a alegria do reino.”, ou então: “Você e sua linda esposa dançarão todos os dias ao bater das 17h em frente ao palácio real.”, “e você outro! És responsável pela música desta dança.”.
Em pouco tempo o reino inteiro estava fazendo bobagens ao menos alguma hora do dia. O Bobo tinha até escritório agora. Vinham-lhe reclamar de dores nas costas, que não conseguiam mais plantar bananeiras, e o Bobo trocava sua bobagem: “não tem problema, todas as vezes que passares em frente ao palácio deverás girar em torno de si mesmo com os braços abertos”.

O Bobo logo ficou tão ou mais famoso que o Rei. Quem não aceitava suas bobagens ia para a “lista negra da tristeza”, ferramenta que o próprio Bobo criara. No final do mês os indivíduos da lista eram submetidos a sessões de tortura e tristeza, carregar caixão no velório, ficar sem ver o Sol por dias. E ai de que não se arrependia.
Na medida em que todos foram se acostumando com as bobagens, ficava muito mais fácil a tarefa. O Bobo ganhara respaldo popular, o poder. Lembro até que certa vez um dos carrascos oficiais do reino tinha ficado deprimido pois o Bobo fazia tempos que não passava nenhuma tarefa nova para ele.

“O reino mais alegre do mundo!” Gritou o Rei quando acordou naquela manhã bonita. E completou: “Mandem o Bobo para a forca!”.

“Mas por quê?” perguntou um de seus súditos.

“É que ele, de bobo não tem nada…”

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Rede

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Estava o homem a puxar sua rede.
Pesada como estava “só poderia ter um milhão de peixes” pensava.

Ora pois que chegou de surpresa um jovem simpático de cabelos vermelhos, todo vestido de azul, e deu uma risada engraçada. Ele já tinha visto que o homem puxava a rede fazia tempo, e, agora, decidiu ajudá-lo.
Segurou na corda atrás do homem e fez de conta que fazia força enquanto motivava ferozmente: “Vamos! Vamos! Mais um pouco! Tá quase! Lá vem! Tem um milhão de peixes!”.

Finalmente a rede veio à areia. Num pulo o baixinho disse: “Como ajudei-te, nada mais justo que tu fiques com o que sobrou e eu fique com todo o resto!”.
Mas, sentindo-se enganado e sem respirar o homem berrou: “Peraí! Chegaste tarde, tu ficas com o que sobrou! Eu fico com o resto!”.

Moral 1: Tem gente que realmente não pensa antes de falar.
Moral 2: Nunca tente negociar com o Pica-Pau.

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A Inveja e a Cerveja

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Mariana amava Raul, ou amava tanto que queria estar sempre com ele. Na verdade Mariana invejava Raul, ou invejava tanto que queria ser como ele.
Mariana era do mar. Raul, do ar. Deslizar nas ondas e nadar com os peixes ou voar como pássaros num céu azul? E Mariana, insatisfeita, tinha também que voar.
Falou com Raul que lhe perguntou? “Mas como Mariana deixaria o Mar?
Mariana mudou de nome. Passou a chamar-se Ariana. Feliz da vida agora iria para o ar, sentir o vento.
“Mas como uma mulata tão linda, dourada e brasileira, poderia ser uma ariana?”

Ariana amava Raul, e queria ser como ele.
Por outro lado Raul invejava Mariana, pois a danada lutava e tanto até conseguir o que queria. E ela queria amar. Raul queria ser como ela. Mas não conseguia.

Ariana mudou de nome. Passou a chamar-se Ana. “Mas Ana de quê?”.
É mesmo, toda Ana tem um segundo nome. Ana Cristina, Ana Amália. Ela era Ana do Nada ou melhor, Ana, de Mariana. Mas não daria mais, agora ela era do ar.
E no auge da sua inveja, entrou no bar para tomar sua cerveja. E Raul também estava lá, tomando sua cerveja, aos beijos com um belo rapaz. Mulato também. Um exímio espécime.
Hoje, Ana, de Mariana mudou de nome. Chama-se Raul.
Ah! E não ama mais o infeliz. Afinal, ela não queria tanto ser o Raul?

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Desvirtude conceitual

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Ele não parava um só minuto: “Por que?”. Eu respondia “por que não?”.
Em seguida perguntava: “Como?”, mas como não? E não tardava e perguntava “Quando?”, para ouvir “não espere não”.
E se me diz “Pare”, eu não paro não, mesmo que diga “Morra!”, eu sinto muito, mas chato não morre.
É a desvirtude conceitual do indivíduo otimista: ser negativo e provocativo.

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Coisa de gente grande

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Nasceu na beira do mar e, ainda no alvorecer de sua infância, ganhou um calção. Por horas a fio, pôs-se a nadar. Primaveras, verões e inclusive gelados invernos ele treinou, braçada por braçada, aperfeiçoando-se.
Aprendeu a nadar. E era só o que fazia: nadava naquele mar de veludo, com as gaivotas, com os peixes, com tudo o que se mexia. Como as ondas ele aprendeu a nadar. E nunca haveria de esquecer.
Cresceu e ganhou um pé-de-pato, queria mergulhar. Na sua adolescência tardia aprendeu a arte de olhar debaixo da água, a prender a respiração, a interagir com aquele habitat tão diferente e surpreendente. E tudo que fazia agora era nadar e mergulhar, e nunca haveria de esquecer.
E só nadava e mergulhava desde então. Mas, aos 18 anos, ganhou um arpão. E na primeira manhã, às 9 horas, aprendeu a matar. “Como isso é fácil de fazer?”, pensava.
Hoje ele sabia nadar, mergulhar e matar. Difícil foi só de esquecer, pois matando aprendera a morrer. Coisa de gente grande.

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O homem que tudo queria

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Tinha tudo o que queria, e queria tudo o que via.
Passava o dia observando o redor. Se alguém tinha uma roupa bonita, ele a queria, se desfilassem uma bolsa da moda, ele comprava.
Mas não via só o que podia comprar… pois passava o dia observando o redor. Se alguém tinha uma nova namorada, ele precisava tê-la, se outro alguém conseguisse uma promoção no trabalho, ele tinha que tê-la também, ou ao menos fazer com que esse outro a perdesse, tanto faz.
Tinha tudo o que queria, e queria mais do que podia. E para isso dizia ter dinheiro, e ele compra tudo, não compra? Ele queria a felicidade do amigo, a beleza do surfista, a inteligência do professor, a destreza do pára-quedista.
Fazia tudo o que queria, e queria tudo o que via, mas não via tudo o que fazia. E por não ver tão assim, confiante, atravessou na contra mão.
“Aqui jaz um homem que só queria ser notado”, mas que, no final, só os vermes choraram quando ele acabou.

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Rosa

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“Uma flor, eu quero uma flor.” - falava bicuda, aquela moça tão bela no meio da rua de barro longe da capital.

Chamava-se Rosa e bem sabia que, atrás de uma moça bonita, muitos homens esperando momentos de ganhar um sorriso.
E vinham de todos os lados, de cima e de baixo, com lírios entre margaridas e acácias. Ela tinha de tudo o que pedia e hoje, como sempre, queria uma flor.

O portador da flor mais linda era presenteado com um beijo. No rosto, é claro, e um sorriso, afinal. Quem não queria um beijo de Rosa, ela só queria uma flor.

E Rosa era esperta. Cada dia escolhia a flor de um diferente galanteador. Assim tinha todos não tendo ninguém. Só a flor do pobre lavrador ela não escolhia.
Por mais que fosse a mais bela e suntuosa orquídea, ou um crisântemo gigante com tulipas escandinavas, Rosa não escolhia. Tinha asco do lavrador, babão e molenga, com olhos brilhantes que só tem quem está apaixonado. Além disso, não tinha dinheiro para cobrir as pretensões de Rosa. Só tinha a mais bela flor.

E Rosa era esperta, e foi para a cidade. Lá, com certeza, conseguiria dinheiro e muito mais flores e galanteadores. “Uma flor, eu quero uma flor”, e ninguém atendia. Mas ela não desistia, “Uma flor, ao menos uma flor…”. Os dias passaram e o dinheiro acabou, e ninguém escutou. Teria que retornar para sua rua de barro.

Mas chegando lá, tudo mudara, Rosa não era mais a bela do jardim, e, no lugar dela, muitas outras flores, outrora botões, abriram-se e brilhavam. Só o lavrador, a ela, deu atenção.
“Lavrador, dá-me uma flor. Uma flor, eu quero uma flor…”
“Claro Rosa, minha deusa, minha musa, meu jardim, minha Babilônia. Cá está a mais bela das belas, só superadas pela sua beleza… São 20 reais.”

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Quem dera

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quem dera
pudesse escrever
algo tão bom de ler
ou como Baudelaire
sair da rotina e me …

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