Lets Trance

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Lets dance
Lets trance
Feel yourself on … 4x …
On me

Let’s trance
In the same Place
At the same time
Sharing the space
On your dimension
or on mine, I don’t mind

Together dancing
the same song
the same trance,
a soft nuance,
at the same time,
a transcedental romance.

Let’s trance
Let’s shine
We are two things
With four wings
Burning on fire
In the same place
Sharing the space
At the same time

Thanks to Bowie, Barrose and Bondelaire

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A voz da consciência

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Encomenta Expressa

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Florianópolis, 07 de junho de 2012

Ontem tu ligaste dizendo que me amavas realmente, finalmente, e que não podias aguentar mais essa lembrança, essa distância que nos tratamos e ficamos nos últimos meses. Disse-me que não conseguirias ficar mais, nem mais um minuto sem sentir meus lábios e meu corpo.
E eu me arrepiando toda…

Disse que meu suor era doce, que a lembrança de meus seios pontudos fazia-te tesudo e que a minha tez era de veludo. Gritou até o quanto precisava me ver, urgentemente, me ter, vagarosamente, me tocar, me olhar e mais que simplesmente, me amar.

Pois é, e lá fui eu, novamente, ansiosa esperava o ônibus passar. Devia não ter me exitado e te mandado à merda ou a todos aqueles lugares que você, um dia, me mandou. Eu sabia, conhecia a cena que já decorei e aconteceu: entrar, olhar, despir-me, submeter-me, entregar-me, foder-me. Dormir. Acordar, procurar, não achar, chorar, agredir-me, deprimir-me e sonhar que no outro dia, irias, haha, me procurar.

Eu já aprendi. Tu só ligas quando estás bêbado!
Pois bem. Nesta caixa você encontrará 6 garrafas do melhor whisky que consegui comprar e um cartão com créditos de telefone celular. Te espero na quinta. Com amor, da sempre tua.
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Lugar ao Céu II

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Lugar ao céu.

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Pecados

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Ricardo, coroinha biogeneticista, ficara podre de rico ao manipular os genes humanos em prol da redução da obesidade. Testara em si próprio com 120 kg a menos de resultado. E, de tanto dinheiro e saúde sobrando, começou a patrocinar festas inacabáveis, regadas a drogas para todos os loucos e prostitutas para todos os fetiches. Hahaha! E com nada mais se importou até a overdose de hoje. No leito de morte mandou chamar seu tutor, Padre Eusébio:
- Padre, eu fui um pecador capital de todas as contra-virtudes e estou morrendo… não tenho mais tempo. Você me vende seu lugar no céu?
Eusébio espantou-se! – Não há preço Ricardinho, pecador! você precisava ter sido um bom cristão sua vida toda!

- Mas então o que faço com esse cheque de 500 mil reais?
- Bom. Neste caso, visto que não estás sendo Avarento pois vejo a quantia, que lugar no céu não é Soberba e sim um sonho comum, que sua Gula foi sanada pela genética – ou ao menos disfarçada, que sua genética fez um bem para nosso rebanho não por Vaidade, mas para terem saúde para irem a missa, que a sua dita Luxúria só havia de fazer os amigos felizes, e, afinal, que estás deitado não por Preguiça, mas por necessidade, peço eu então o perdão pela minha Ira. Aliás, por 600 você consegue vista para a Lua. Interessa?

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Pablo Perfumado

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Leu na Internet: “Perfume irresistível – todas as mulheres aos seus pés”. Exatamente isso que Pablo Perfumado procurava. A sua desforra! Mas…
Mas seria verdade? Não que ele acreditasse, mas precisava comprovar com seu próprio olfato. Solicitou seu frasco que chegou em intermináveis 15 dias.

Ao chegar, não teve dúvidas! Abriu o frasco e esparramou pelo corpo todo. Até achou estranho seu cheirinho de churume, mas disseram que era irresistível, então vá lá! Foi ao metrô para comprovar.
Saiu cheio de marra, andando de lado e queixo pra cima, como dançando com a rainha do baile. Todas as pessoas da rua olhavam para ele, a gata do ponto de ônibus, o pipoqueiro triste e até o taxista deitado no carro. Ora com cara de espanto, ora alegria, ora nojo, ora estupefação.
Até chegar na entrada do metrô, Pablo não parava de chamar a atenção, mesmo ao ar livre. Estava provado e aprovado!!, mas decidiu entrar para a prova final. Afinal, um local com pouca ventilação e muita gente apertada traria o resultado definitivo.
Chagando na catraca o guarda parou-o e Pablo, cheio de si e de cheiro: “Sei que estou cheiroso, mas eu gostaria de entrar, por favor”. E o guarda: “Só se você colocar uma calça.”

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Homem é encontrado jogado na rua, deitado, calado.

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Possivelmente drogado ou mal amado.
Saiu no jornal.

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Experimento

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PARTE 1

Ontem decidi que iria iniciar o experimento. Iniciei.
Vestir-me maltrapilho e estirar-me ao chão, como desacordado, em uma rua de não tanto movimento no centro da cidade. Complementar meus estudos sociológicos com uma experiência. É lógico!
Vestido em mal trapos, sujo de carvão e perfume de cachaça. Imóvel!, como deveria ser, de barriga para baixo e uma perna esticada.
A primeira pessoa a passar foi uma dona, daquelas ditas desnorteantes, que olhou-me de canto de olho e reclamou algo para só ela escutar. Um cachorro sarnendo dobrou a esquina e cheirou meu nariz, balançou o seu rabo e esperou reação. Decepção. Foi embora a buscar, sem aparente razão, incomodar outrem ou um real cidadão. Um velho bonachão de chapéu atravessou a rua para não passar por perto de mim e flertou com a madame que tinha nariz de anão de jardim, e assim, assim, um após o outro passou pensando em seus umbigos e rabos, bebendo cramberries, manejando tablets e blackberries.
Pois sim! Eu consegui provar! Em 5 horas virei paisagem da cidade grande.
Mas não contente insisti. O sol castigava minhas costas enquanto passava um garoto apontando um dedo para mim antes de sua mãe lhe puxar. Uma perua de cabelo roxo nem virou a cara, mas prendeu a respiração, eu vi! perto do o casal que procurava uma geladeira para casar e do pombo que procurava uma estátua para cagar. Um homem que andava mancando suspirou, o dono da mercearia disse que a chamaria a polícia, mas já estava tarde e ele fechou.
E foi caindo a noite e eu estava lá. Pensei: “vou para casa tomar um banho, descansar e pensar nos planos de amanhã”.
Fim da parte 1



PARTE 2

E é agora, e cá estou – ainda. Raiada a noite e eu deitado na rua, querendo ir para a casa mas sem conseguir me levantar. Não consigo me mover nem ao menos falar! Minhas mãos inchadas, minhas costas dormentes, cansadas, meu rosto machucado do contato com a calçada.
Um mendigo noturno chega perto, olha para mim e coloca um gole do Velho Barreiro na minha boca. Doce. Sussurra que não divide ponto de esmola e vai embora. Duas prostitutas gordas  reviram meu bolso em busca de trocados e ouço um jovem falando com a esposa: “certo que por causa de mulher…”.
É noite adentro e o sereno alivia minha nuca queimada do sol. Mas ouça! Ouço uma ambulância dobra a esquina. Finalmente alguém vem recolher-me.
Ah! paramédicos. Um olha para o outro, acende um cigarro, reclama do trabalho e coloca-me na maca. A ambulância sacode-se em direção do hospital central.
Fim da parte 2

PARTE 3

Ainda estou aqui no hospital, em uma maca no corredor. Não tenho documentos, não consigo falar, ainda não me mexo. Eis que bons 30 anos de casa chegam com Bete, a enfermeira gorda de baton vermelho e silicone nos peitos: “Quem é esse trapo? Alguém sabe dele?”. Bete é um amor, mas ninguém sabe de mim.
O dia raiou e eu no corredor. Espero que não faltem macas no hospital e que minha sonegação de impostos não faça falta afinal. Um médico recém formado vem me ver. Abre meus olhos e coloca em palito de picolé em minha boca. “Quem é esse senhor?”.
“É o Zé.” – grita alguém do corredor. O Zé Ninguém…
Bete, Bete chegou. Chegou com sua seringa e ahhh eu consigo…!! “Ss..SOoU O Dou dOUTOR PONTES, PROFESSOR DE SOCIOLOGIA NA UNIVERSIDADE!”
“Muito prazer, eu sou Margaret Thatcher. Toma essa morfina e vai dormir um pouco”. Ahhh
O dia muda com as cores. “Deixa mais uma ampola disso pra mim…é para um novo experimento.”. Suplico no corredor.
Fim da parte 3


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Por favor, mexam no meu queijo.

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Vivo uma guerra e não a arte; é o dia a dia de decepções amorosas e depressão consumista. “- Bianca, piranha… vais arrepender-te.”. Não consigo meu pad de última geração nem dinheiro para mandar fechar a zona. Decepção. Não tenho para um carrão nem ao menos para um anel de rubi. “- E ela ainda disse que eu sou um guri!”.
Mas agora sim minha vida mudará, pois escolhi ser feliz! Poderei emagrecer 15 quilos em 15 dias (ou quem sabe 30 em 30!). Adeus barriga! Meu cabelo voltará a crescer e ganharei milhões de dólares até o amanhecer. Facilmente conquistarei 1000 mulheres para esfolar meu futuro pênis aumentado… “-Vingança!”, e dedicarei ao meu pobre pai executivo que faliu a empresa e fugiu para um monastério em busca da paz interior e da proteção contra os credores.“- ARRASTAR-TE-ÁS AOS MEUS PÉS!”. Vaca. Aprenderei a controlar o stress e a falar em público. Exercerei tamanha influência que meus ditos distribuirão amor aos fracos por os brados de anunciação dessa nova era.

…nada ainda na caixa de correios…

Sonho com meu dia – de noite infindável – sem tempo para tantos convites sociais e amigos verdadeiros, esportes radicais e saladas de rúcula com agrião. Redenção! minutos de sabedoria por uma vida sem limites. Cada vez mais tenho certeza: serei insubstituível, compreensivo com o ódio e paciente com a ignorância. Despertarei finalmente a omni consciência com metáforas de dias de sol iluminando conversas com animais e divindades.

“-Puta que o pariu!
O cachorro latiu.
Acho que são os Correios.
10 livros de auto-ajuda por 99,99.
Uma pechincha por uma vida de vitórias.
- Que bom!
Vou comer esse resto de macarrão.
Iniciar finalmente a leitura.
“- Um queijo?
Quem mexeu no meu jeito?
Será que meu pênis já aumentou?
Tá, vou começar…
Onde estão meus óculos?
“- QUE MERDA!
Comecei com a perna esquerda.
Esse bombom de chocolate é uma delícia.
“- MILAGRE!
Acho… pareceu.
Já me sinto um novo homem.
“- Que fome.
Onde está a balança?
ah! Vou ligar agora mesmo para a Bianca.

Lição 1: “Seja você mesmo.”.
(…)
Fudeu.

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Um Velho Deitado

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O velho rabugento deitado em sua rede na varanda tinha de velho as marcas da idade. Tão sábio que era criava seus ditos, e de tanto deitado, sem nada a fazer, pôs-se a contar os paus da canoa, semear vento e observar a tempestade ao redor. Viu o cachorro que foi mordido por cobra comer uma linguiça, sua velha com os dois olhos no peixe fritando e o gato preso. “Gato vagabundo!” que não serviu para caçar, mas sim vai comer! O velho deitado estava com fome mas não dispensava o tempero, pois pela boca morreu o peixe e casou o homem que vive para comer.


Ele sabe que devagar não se vai longe, e que depois de inventarem o preconceito, em terra de cego caolho virou deficiente: “(..) você gostaria de ter um terceiro braço para coçar a bunda? De que vale um olho pra jogarem pimenta?” Seu neto curioso_o_ouvia e o via como velho ditador: “Ei guri! Faça o que eu digo, o resto como convir. Olhe os dentes desse cavalo, ponha a colher onde eu quiser, traga um pouco do palheiro mas te cuida! a agulha pode espetar.”. O neto adoidado pegou a agulha e cravou no crânio do velho deitado.


Hoje 10 anos depois, a justiça tardou e o crime prescreveu. O neto homicida deitou na rede do avô e recordou. Eram águas passadas movendo moinhos à frente. “ah sábio vovô… lembro você com carinho , ralhando de noite: “Ei guri! É bom botar o carro na frente dos bois senão amanhã você não sai para trabalhar.”. Ah! vovô… você foi ao ar e nunca tomaram seu lugar. Ah!, seu velho deitado, vai se danar (…)”.
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A beleza surpreende.

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Raul

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Naquele dia de sol azul e calor de primavera Raul acordou cantando: “delelin delelin, quero-te pra mim… delilin delelin”.

Ah! Adélia, Adélia. Moça da classe média lageana, de olhar fundo, sorriso difícil, magrinha que parecia doente, é, realmente, ela não costumava chamar atenção na rua. Ou talvez chamasse passando em frente à construcao do novo centro comercial do bairro utilizando seu shortinho jeans azul piscina e salto plataforma. Aí sim! recebia assovios e cantadas de podres pedreiros em seus chinelos de dedo e rostos rotos e marcados pelo sol. Talvez sua mãe a achasse linda e o pai tivesse ciúmes. Mas Raul não enxergava ou não se importava e cantava chamando Adélia: “delelim, delelim, delelim, olha pra mim, não faz assim! Veja que eu te amo, para mim, delelim, delelim.”

- Haja paciência… E Raul nao parava mais. – POR FAVOR ADÉLIA! Faça esse bem aos meus ouvidos afinados! Beija o Raul, dá pro Raul, toca o Raul.

E foi tanta a cantoria que um dia Raul não mais sorria, nao mais dançava, nem taopouco cantava. Tinham lhe dito que ela estava enamorada de outro…

E por mais que eu tentava convencê-lo do contrario ele insistia: “mesmo que para você não, delelin delelin delelin da, realmente linda pra mim”.

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Então saí de casa…

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…mais aquele dia. Sem o sol, sem companhia, o dia só queria de mim a audácia que levasse ao deslize, a mentira que confessasse meus delírios e o ódio disfarçado em um sorriso brilhante. Incrível como eu fazia isso tão bem, o sorriso que não era forçado ou pintado, só era sarcástico em sua timidez e consciente de sua capacidade de persuadir.

E de tanto querer testá-lo novamente quando cheguei, foi que pus-me a olhar fixamente para um policial que organizava o trânsito na esquina do colégio de baixo. Olhei-o tão fixamente que ele não demorou para notar o meu ódio ameaçador, talvez sádico mas sim deveras homicida. Sua surpresa denunciou o seu medo e incompetência frente à segurança das crianças que atravessavam a rua na faixa de pedestres meio apagada, e isso deixou-me mais curioso para sorrir.

E no movimento que ele fez ao olhar para o lado e voltar a olhar, foi que eu já estava sorrindo de braços abertos com a desinibição de um velho sonhando com seu falo nova e quimicamente ereto comendo policiais à luz do dia, atrás do arbusto da praça.

Acho que ele notou meu tesão abusado e passou um rádio para o colega mais próximo, dando o local e a descrição do sorriso de um louco. Mas é claro: não ouvi sobre o seu temor frente ao ódio homicida e nem sobre a sua repulsa frente ao desejo do sexo proibido. “Como ele é pobre em sua vida.”, eu pensei. Ainda, vi no seu futuro um apito eterno para carros importados com madames, seus peitos de silicone, suas caras repuxadas e deixando suas crias mimadas em frente à porta do colégio particular.

Afinal, antes de chegar o reforço policial eu dei as costas e pus-me a andar. Melhor deixá-lo em paz – não tenho paciência com idiotas com cacetetes e também hoje não é dia de ménage à trois.

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Infinito particular

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Amor Latente

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E me levou para a casa dele, sem cuidado com o que estava fazendo. Nada excitante, nada para ver, nada a notar, não consegui fingir. Talvez a combinação dessa cortina desbotada com a mesa de madeira e vidro jateado. Seu mau gosto revelando-se naquela lembrança de Fortaleza sobre mesa ou talvez as duas tvs ligadas e os cabos do videogame espalhados pelo chão ou ainda o telefone perdido sob a pilha de papéis com anotações de anos atrás. Seriam números de telefones das antigas namoradas?

O tapete não deve ter sido lavado nos últimos anos e talvez devesse colocar um capacho para limpar os pés quando sujos de barro. O cheiro bolorento do sofá, possivelmente abrigando migalhas de comida como banquete para formigas, só era superado pelo que vinha do banheiro de porta entreaberta e tapete enrugado. Também não consegui não notar a louça no escorredor brilhando a óleo e que talvez todos os talheres da casa estivessem no escorredor. Aliás, ele não devia ter aberto a geladeira para buscar água na pet reciclada de gasosa e oferecido o macarrão com salsichas de trasanteontem.

Só uma coisa sorria, no canto da sala o que eu queria e esperava, brilhante e ostentosa, suplicante e gostosa, sacana, implicante, uma garrafa de cana, ah! essa cana. Como as coisas tendem a ficar mais agradáveis com ela, abrindo a janela, as portas e as pernas finalmente! Entregar-me àquele amor latente.

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Ciclo de Vida

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Nasceu na beira do mar, ganhou um calção e, por horas a fio, pôs-se a nadar. Primaveras, verões e alguns invernos gelados não bastavam para a natação. Aperfeiçoou-se. Sabia nadar e era só o que fazia, naquele mar de veludo, olhando as gaivotas, imitando os peixes e tudo o que se mexia. Como as ondas ele aprendeu a nadar. E nunca haveria de esquecer.

Cresceu e ganhou um pé-de-pato, queria mergulhar. Na sua adolescência descobriu a arte de olhar debaixo da água, de prender a respiração, de interagir com aquele habitat tão diferente e surpreendente e voltar surfando na onda. E tudo que fazia agora era nadar e mergulhar, e nunca haveria de esquecer.

E só nadando e mergulhando desde então, aos 18 anos ganhou um arpão. E na primeira manhã, às 9 horas, aprendeu a matar. Foi o mais fácil de aprender.

Então ele já sabia nadar, mergulhar e matar. Difícil foi só de esquecer, pois matando aprendera a morrer. E não deu outra, morreu bela boca.

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Não importa se você é o Rei!

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Bundelaire.com

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Beatriz andava sempre rebolando, da direita para a esquerda, da esquerda para a direita. Não sei se andava fazendo pose ou se ela era perneta, mas a danada estava sempre remexendo.

Quebrava o quadril pulando a poça, subindo a escada da igreja, esperando o ônibus em frente ao trabalho. E se ia de saia rodada, ela era o samba que fazia a rapaziada feliz. Ah! Beatriz! Veja o que você fez… Quantos moleques na rua eu já não vi imitando seu balanço, com as mãozinhas na cintura e biquinho de francês.

Você que sempre deixou a porta aberta com seu rabo grande, derrubava a velhinha da banqueta do SUS e colocava o fio dental com o primeiro raio de sol. Só que naquele dia eu fui certeiro, você tem – sim – é bicho carpinteiro.

* já estava com saudades de escrever, e lá vai o jabá de quem me inspirou: meumundonina.blogspot.com

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Aninha, não: Anão!

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Naquele dia, como usual, Ana acorda preguiçosa na sua cama kingsize, calça suas plataformas e caminha demoradamente até o banheiro do seu duplex. O ar seco e calmo que entrava pela janela semi-aberta daquela manhã de primavera inspirava uma sensação de inferioridade a mais, como se ela precisasse de ar seco para isso…
Era a mais nova de nova de 4 filhas e, desde pequena, sonhava em ser aviadora, andar de quepe e tayer, com estrelas no paletó e salto alto de grife. Seu pai, coitado, nunca soube o que era andar de avião, pois passava os dias entre pilhas de tecidos de sua alfaiataria. E Ana ficava lá cutucando, queria sempre o melhor vestido, o tecido mais brilhante, a mais cara confecção, o estilista mais famoso. “Deus me livre!” usar listas horizontais na estampa do vestido. Lera que decotes em V deixavam a pessoa mais alta, assim como “looks” de uma cor só alongavam as pessoas. Era mesmo um saco! Não se contentava com pouco, não se contentava com menos.
Já aos doze anos seu discurso era ensaiado: queria crescer, subir na vida, ter do bom e do melhor para morar, para comer, para dirigir, para vestir, para viver, para zoar. Acho que aí sua mania de grandeza já era maior que ela mesma, e crescia exponencialmente.
Aos quinze sonhava com o príncipe encantado, em um cavalo enorme, com um pau enorme, levando-a para um castelo ainda maior, a caminho do céu.
Aos dezoito já se contentava somente com um carrão e o príncipe encantado não precisava usar calça colada de cetim – mas quanto ao tamanho do castelo (e do pau) não mudara de idéia.
Surpresa! E não é que achou? Naquele dia de sol se casou para o espanto da sociedade conservadora. Uma cerimônia requintada e pomposa, com cascatas de camarão e veuve clicquot. Da limousine para o colo do seu marido, entrou no ninho de amor. “Mas que casa enorme!”. “Droga”. Ana não alcançava na pia, custava que custava a sentar na poltrona, a abrir a sacada, a subir na cama, a usar a privada. Saiu de seu mundinho particular e se viu como João (o do pé de feijão) na casa do gigante, e ela estava longe de ser uma harpa mágica. Sua vergonha crescia dia a dia até que sumiu naquela tarde de ar seco e calmo. Alguns me disseram sem um senão: “Ana morreu!”, mas como nunca vi enterro de anão, não sei que fim se deu.

Naquele dia, como usual, Ana acorda preguiçosa em sua cama “kingsize”, calça suas plataformas e caminha demoradamente até o banheiro do seu duplex. O ar seco e calmo que entrava pela janela semi-aberta daquela manhã de primavera inspirava uma sensação de inferioridade a mais -como se ela precisasse de ar seco para isso…

Era a mais nova de nova de 4 filhas e, desde pequena, sonhava em ser aviadora, andar de quepe e tayer, com estrelas no paletó e salto alto de grife. Seu pai, coitado, nunca soube o que era andar de avião pois passava os dias entre pilhas de tecidos de sua alfaiataria. E Ana ficava lá cutucando, queria sempre o melhor vestido, o tecido mais brilhante, a mais cara confecção, o estilista mais famoso. “Deus me livre!” usar listas horizontais na estampa do vestido. Lera também que decotes em V deixavam a pessoa mais alta, assim como “looks” de uma cor só davam ilusão de altura. Era mesmo um saco! Não se contentava com pouco, não se contentava com menos.

Aos nove anos já não atendida se a chamassem de Aninha. Aos doze seu discurso era ensaiado: queria crescer, subir na vida, ter do bom e do melhor para morar, para comer, para dirigir, para vestir, para viver, para zoar. Acho que aí sua mania de grandeza já era maior que ela mesma, e crescia exponencialmente.

Aos quinze sonhava com o príncipe encantado, em um cavalo enorme, com um pau enorme, levando-a para um castelo a caminho do céu. Aos dezoito já se contentava somente com um carrão e o príncipe encantado não precisava usar calça colada de cetim – mas quanto ao tamanho do castelo (e do pau) não mudara de idéia.

E de insistir não é que achou? Naquele dia de sol se casou para o espanto da sociedade conservadora. Uma cerimônia requintada e pomposa, com cascatas de camarão e veuve clicquot, Ana e seu gatão. Da limousine saiu no colo do seu marido e entrou no ninho de amor. “Mas que casa enorme!” – “Droga”. Ana não alcançava na pia, custava que custava a sentar na poltrona, a abrir a sacada, a subir na cama, a usar a privada. Saiu de seu mundinho particular e se viu como João (o do pé de feijão) na casa do gigante, e ela estava longe de ser uma harpa mágica. Sua vergonha crescia dia a dia até que sumiu naquela tarde de ar seco e calmo. Alguns me disseram sem um senão: “Ana morreu!”, mas como nunca vi enterro de anão, não sei que fim se deu.

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