Cada um para o seu lado

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Laudares, coitado, tinha um tique nervoso. Não conseguia andar pra frente… só de lado, ou de costas.

Caminhava pra um lado, pro de trás, proutro lado, pro lado de lá. Não conseguia andar pra frente como gente comum… de jeito nenhum.

Procurou um psicólogo ou aliás, uma psicóloga, Letícia, recém-formada, que buscava firmar sua carreira e atendia ainda sem consultório:
- “Venha”, disse a psicóloga, “Vamos caminhar no parque e conversar”. Laudares ficou fascinado. Letícia era deliciosa.

Então saiu com ela caminhando, como habitual, de lado e cantando. E com os olhos nos olhos passou a hora da consulta inteira. “Fantástico! Atencioso!! Maravilhoso!!! … Ai, que homem diferenciado”, disse (!) Letícia.

Casaram-se, e hoje Laudares anda, protegendo aquela bunda… maravilhosa. ‘Que saco, não dá nem pra dar uma olhadinha sem ele me olhar de lado.

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Shakespeare revisitado.

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Em homenagem ao novo layout do BonDeLaire…

Ela gostava do dia. Aliás, só gostava do dia. A noite passava  dormindo, sonambulando, amando o seu colchão, babando seu travesseiro.

Comportamento diurno que veio na adolescência. Seus trabalhos iniciavam logo após o nascer do Sol e findava antes do anoitecer. Amava o Sol e o calor do dia.

Parceira dos atletas e das árvores, não levava seu celular sob o risco da temida noite. Mas, estranhamente, e mesmo ante seu comportamento arrediu, tinha muitos amigos, namorados e grupos sociais.

Ele gostava da noite. Aliás, só gostava da noite. O dia passava dormindo, sonambulando, embaixo do edredom, amando seu travesseiro.

Comportamento notívago que veio na adolescência. Arranjando trabalhos noturnos, fugia do dia como gato da água fria. Ojerizava o Sol e o calor do dia.

Parceiro dos insones e baladeiros, atendia o celular sempre disposto e solícito por interação. Mas, estranhamente, e mesmo ante seu comportamento gentil, não tinha muitos amigos, namorada ou grupos sociais.

E se apaixonaram… coisa da vida. Foi num desses finais de tarde que começou, e na manhã acabou.

Não sei muito bem o porquê, mas desconfio que, afinal, um vampiro tem que se alimentar. E por seu amor, que mal teria um breve banho de Sol matutino? – quando dois amantes tornam-se um… punhado de cinzas.

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