Enfermo Star

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Michel não podia sair de casa. Não podia apanhar sol, andar descalço, tomar banho de mar, tomar um pouco de ar. Dizia ter uma doença, que ora era frescura, ora era injúria, ora era loucura. Os vizinhos comentavam nos jornais e os jornalistas aumentavam para não ficar atrás. Chamavam a tevê, o rádio e os blogueiros, que de tanto chamar, não carecia mais. E vinha a polícia, a igreja e o governo, uns não ligavam, e outros fingiam, o importante era saber do enfermo, coitado ou culpado, que seja.

Se tinha um furúnculo no pé, ou uma dor de cabeça, um padrasto maluco ou um brinquedo legal. Se tinha uma mulher que não amava, ou uma criança levada, se tinha um pavor do escuro, ou de porta fechada. Não importava: ele tinha que ter.

Um dia, só de raiva, dançou e dançou sem parar, por dias. E de tanto dançar, definhou e morreu.

No seu enterro, os vizinhos chamaram jornais, vieram a tevê, o rádio e os blogueiros, a polícia, a igreja e o governo, aliás, nada como um dia depois do outro.

Homenagem a Michael Jackson

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