Então saí de casa…

Poema em Post 5 comentários »

…mais aquele dia. Sem o sol, sem companhia, o dia só queria de mim a audácia que levasse ao deslize, a mentira que confessasse meus delírios e o ódio disfarçado em um sorriso brilhante. Incrível como eu fazia isso tão bem, o sorriso que não era forçado ou pintado, só era sarcástico em sua timidez e consciente de sua capacidade de persuadir.

E de tanto querer testá-lo novamente quando cheguei, foi que pus-me a olhar fixamente para um policial que organizava o trânsito na esquina do colégio de baixo. Olhei-o tão fixamente que ele não demorou para notar o meu ódio ameaçador, talvez sádico mas sim deveras homicida. Sua surpresa denunciou o seu medo e incompetência frente à segurança das crianças que atravessavam a rua na faixa de pedestres meio apagada, e isso deixou-me mais curioso para sorrir.

E no movimento que ele fez ao olhar para o lado e voltar a olhar, foi que eu já estava sorrindo de braços abertos com a desinibição de um velho sonhando com seu falo nova e quimicamente ereto comendo policiais à luz do dia, atrás do arbusto da praça.

Acho que ele notou meu tesão abusado e passou um rádio para o colega mais próximo, dando o local e a descrição do sorriso de um louco. Mas é claro: não ouvi sobre o seu temor frente ao ódio homicida e nem sobre a sua repulsa frente ao desejo do sexo proibido. “Como ele é pobre em sua vida.”, eu pensei. Ainda, vi no seu futuro um apito eterno para carros importados com madames, seus peitos de silicone, suas caras repuxadas e deixando suas crias mimadas em frente à porta do colégio particular.

Afinal, antes de chegar o reforço policial eu dei as costas e pus-me a andar. Melhor deixá-lo em paz – não tenho paciência com idiotas com cacetetes e também hoje não é dia de ménage à trois.

1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas5 estrelas (Votos: 2, média: 4.50 )
Loading ... Loading ...
Designed by NattyWP Wordpress Themes.
Images by desEXign.