A beleza surpreende.

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Raul

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Naquele dia de sol azul e calor de primavera Raul acordou cantando: “delelin delelin, quero-te pra mim… delilin delelin”.

Ah! Adélia, Adélia. Moça da classe média lageana, de olhar fundo, sorriso difícil, magrinha que parecia doente, é, realmente, ela não costumava chamar atenção na rua. Ou talvez chamasse passando em frente à construcao do novo centro comercial do bairro utilizando seu shortinho jeans azul piscina e salto plataforma. Aí sim! recebia assovios e cantadas de podres pedreiros em seus chinelos de dedo e rostos rotos e marcados pelo sol. Talvez sua mãe a achasse linda e o pai tivesse ciúmes. Mas Raul não enxergava ou não se importava e cantava chamando Adélia: “delelim, delelim, delelim, olha pra mim, não faz assim! Veja que eu te amo, para mim, delelim, delelim.”

- Haja paciência… E Raul nao parava mais. – POR FAVOR ADÉLIA! Faça esse bem aos meus ouvidos afinados! Beija o Raul, dá pro Raul, toca o Raul.

E foi tanta a cantoria que um dia Raul não mais sorria, nao mais dançava, nem taopouco cantava. Tinham lhe dito que ela estava enamorada de outro…

E por mais que eu tentava convencê-lo do contrario ele insistia: “mesmo que para você não, delelin delelin delelin da, realmente linda pra mim”.

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