Nada estava bom para Peter. Nem seu trabalho ou sua vida, nem seu cabelo ou sua roupa.
O cara era mesmo chato e birrento, reclamão e briguento. Refazer, reestruturar, redesenhar, reescrever, revisar, recalcular, remodelar, remendar. Nunca findava o seu trabalho, nunca cumpria um prazo, nunca entregava só o que era pedido – aliás, nunca entregava nada. Precisava remoer, reviver, revirar, retocar toc toc.
E foi assim sua vida toda, de emprego em emprego irritando chefes, clientes e colegas. Quando entregava algo, a contragosto, estava semanas atrasado.
A sua morte nem foi prestigiada. Pensavam que ia ser revisada e teriam oura chance de velório,… mas não foi. Talvez a única vez que ele terminou na primeira tentativa…
Na sua casa foi revelado seu hobby, a pintura. Tinha 1 quadro no centro da sua sala, belíssimo, fascinante. Aliás, tão fascinante que o seu irmão não conseguia parar de olhar, e o zelador do prédio também, e a multidão que, pouco a pouco se aproximava… olhava olhava. Era mágico como o de Dorian Gray, inovador como a Monalisa, assustador como no renascimento, perfeito como Peter sempre quis ser!
Seus traços, suas cores, esplendor, esplendor!! E no rodapé, a assinatura original e que não deixava dúvidas do autor: Inacabado.
December 31st, 2008 at 11:28
Fantástico! Relembre a mim mesma…