Claustrofobia Mental

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Ester falava tudo em sua vida para todos em sua volta. Não conhecia guardar segredos, não aguentava ficar calada, não conseguia não ser sincera. Ester externalizava tudo que ouvia, sentia ou percebia.

Ester contava tudo em sua volta para todos em sua vida. Claustrofóbica mental, não suportava a idéia de ficar presa em seu próprio mundo sagrado, e abria os portões para toda a energia que pudesse trocar ou doar.

Mas de um resfriado danado, e quando perdeu a voz, de tanto tremer, pôs-se a escrever. Palavrões e vreados rasgavam seu bloco de notas como se queimando de ódio. Até quebrar os dedos.

E começou a piscar os olhos em morse, balançando seus ombros. Ninguém entendia. E mesmo cansada, batia com a cabeça no tambor, chocalhos no joelho, cornetas nos pés, mas ninguém entendia. Escuridão. Pânico. – Ester, histérica Ester, acorda mulher!

Mas eis que coisa, uma gaita em sua boca! e Ester soprou um sopro de vida.

Ahh… uma gaita. Ester, Ester, agora eu entendo o seu blues.




One Response to “Claustrofobia Mental”

  1. Nina Atenção:

    Por um breve momento me senti Ester.

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