Teresinha tinha tanto tempo na sua vida que parava a toda hora para se preocupar,… com a vida dos outros. Quem me dera ter esse tempo, mesmo que só para pensar.
Ela era amiga, a melhor amiga, e de todos. Desdobrava-se, cancelava seus próprios compromissos, passava noites em claro só para ouvir lamúrias de seus conhecidos. Que alma boa: filtrava os maus agouros, negava as más línguas, revirava a má intenção e ia contra qualquer maré para protege-los.
Isso é certo não sei, mas é claro que infindáveis vezes se arrependera, apunhalada pelas costas ou pela frente. E ai que coceira na orelha! Estavam falando dela, é claro.
E chegou sua vez de estar mal. Perdera o emprego por faltar demais, e o marido e a guarda dos filhos por uma maternidade despreocupada. E agora estava sozinha. Eu te falei Teresinha!
Dos seus amigos, metade a negou por 3 vezes naquela noite, outros tantos a conheciam mas diziam não serem íntimos o suficiente e alguns outros não tinham tempo para ajudá-la, pois haviam marcado compromissos. Tinham até aqueles que nunca gostaram dela mesmo, e para eles Terezinha nem ligara, mas um deles, ah, o Ivan, virara diretor executivo da Sul América. Perfeito! Vá pedir ajuda!
Mas infelizmente Ivan não pode ajudar. Ele não vende seguros para desempregados.
February 10th, 2009 at 13:50
Há molas escondidas no fundo do poço.
Teresinha está aprendendo.