O Bardo Voyer

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Era um homem simples, aparentando 25 anos, cabelos emaranhados mas recém-cortados, que olhava fixamente a morena de vestido branco lá embaixo. Aliás, nada mal aquele vestidinho… minha primeira impressão é que ela deve ter tomado banho na última semana, com poucos cabelos entre os braços – e isso significa que sua xoxota não será tão peluda assim, com um olhar profundo e triste, aparentando uns 17 anos,… no máximo. Queria eu ter 25 anos.
Mas é claro que, para uma moça como ela, todo o conquistador que não se parece com o James Dean não merece mais que um olhar cruzado da primeira vez. Eu observava tudo rindo baixinho. Poderia ter sido eu o rejeitado.
Logo quando pensei em desviar a atenção, eis aquela coragem de jovem aventureiro e o rapaz decidido pôs-se a chegar mais perto. Talvez estivesse pensando em arriscar ao menos um esfregão enquanto a multidão se acotovelava a sua frente, em torno daquele palco que ostentava uma fogueira central na popular festa dominical. Era lá que estava a morena, e bem que poderia ter sido eu a ter essa coragem.
Abri meu olhar e estava formada a cena: vendedores de frutas que disputavam inutilmente a atenção do povo – e que povo feito – muito mais interessado nos vendedores de vinho doce, duas crianças se acotovelavam como irmãos ao lado de uma senhora, vermelha de vergonha, que ralhava com eles, e aquele homem de máscara no canto do palco: parecia ter saído de teatros pornográficos de segunda categoria, com o peito a mostra, as costas peludas, correntes enferrujadas na mão e um olhar que tentava mentir estar com sede de sangue. O tédio predominou por um minuto e eu quase perdi meu casal.
A morena estava olhando para trás, talvez arrependida de não ter respondido ao flerte, ou talvez, e dessa vez, não se faria tão difícil assim – mas não achou o atrevido rapaz, que andava contornando o palco. Um bêbado apaixonado (e isso é quase um pleonasmo), encantado, esperançoso e convencido (!!), enche-lhe um copo de vinho, e uma gota atrevida cai sobre o seu vestido. O vendedor de tomates não consegue desviar os olhos daquela gota. Mas ela só olha o palco agora pois o homem mascarado fita-a quase sem expressão. O povo aperta mais e começa a cochichar.
O rapaz apressou o passo e agora estava a alguns metros da morena, se aproximando. Senti seu tesão nos olhos. Ele respira profundamente, abre o cordão de suas calças, aproveita mais um movimento da multidão e abraça a pretendida já com o membro duro. A morena, surpresa, arregala os olhos. A multidão, aplaudindo, ri da fogueira que foi acessa. A moça pensa: “antes trepando do que na fogueira com mamãe” e relaxa para o orgasmo total. A multidão aplaude, a bruxa morre, o algoz chora, a morena sorri e o rapaz goza. Poderia ter sido eu o gozador.
Ai como eu gosto do século XIV. Todo o dia é dia de trova.

De longe consegui captar aquele momento. Aquele flerte sutil e envergonhado, o início do fato.

Era um homem simples, aparentando 25 anos, cabelos emaranhados mas recém-cortados, que olhava fixamente a morena de vestido branco lá embaixo. Aliás, nada mal aquele vestidinho… minha primeira impressão é que ela deve ter tomado banho na última semana, com poucos cabelos entre os braços – e isso significa que sua xoxota não será tão peluda assim, com um olhar profundo e triste, aparentando uns 17 anos,… no máximo. Queria eu estar ali, queria eu de volta meus 25 anos.

Mas é claro que, para uma moça como ela, todo o conquistador que não se parece com o James Dean não merece mais que um olhar cruzado da primeira vez. Eu observava tudo rindo baixinho pois, dessa vez, poderia ter sido eu o rejeitado.

Logo quando pensei em desviar a atenção, eis emergente aquela coragem juvenil quando o rapaz, decidido, pôs-se a se aproximar. Talvez estivesse pensando em arriscar ao menos uma boa conversa ou talvez um esfregão gostoso. A multidão se acotovelava a sua frente, em torno daquele palco que ostentava uma fogueira central – a popular festa dominical. Era lá que estava a morena, ao lado do palco, e bem que poderia ter sido eu a ter essa coragem de chegar.

Abri meu olhar e estava formada a cena: vendedores de frutas que disputavam inutilmente a atenção do povo – e que povo feio – muito mais interessado nos vendedores de vinho doce, duas crianças se beliscavam como irmãos ao lado de uma senhora de azul, vermelha de vergonha, que ralhava com eles, e aquele homem de máscara no canto do palco que parecia ter saído de teatros pornográficos de segunda categoria, com o peito a mostra, as costas peludas, correntes enferrujadas na mão e um olhar que tentava mentir estar com sede de sangue. O tédio predominou por um minuto e eu quase perdi meu casal.

A morena estava agora olhando para trás, talvez arrependida de não ter respondido ao flerte, ou talvez, e dessa vez, não se faria tão difícil assim. Mas não achou o pretendido que eu duvido que ela se lembrava como era. Um bêbado apaixonado (e isso é quase um pleonasmo), encantado, esperançoso e convencido (!!), enche-lhe um copo de vinho… uma gota atrevida cai sobre o seu vestido branco. O vendedor de tomates não consegue desviar os olhos daquela gota e coloca a cesta na frente da calça. Mas ela só olha o palco agora pois o homem mascarado fita-a sem expressão. O povo aperta mais e começa a cochichar.

O rapaz apressou o passo e agora estava a alguns metros da morena, se aproximando. Senti seu tesão nos olhos. Ele respira profundamente, abre o cordão de suas calças, aproveita mais um movimento da multidão e abraça a pretendida já com o membro duro. A morena, surpresa, arregala os olhos. A multidão, aplaudindo, ri da fogueira que acabara de ser acessa. A senhora de azul, atenta e safada, pede um tomate. A moça pensa: “antes aqui trepando do que na fogueira queimando com mamãe” e relaxa para o orgasmo total. Eu vendo tudo isso, a multidão aplaude de pé, a bruxa morre queimada, o algoz chora de lado, a morena sorri arrepiada e o rapaz goza extasiado. Bem que poderia ter sido eu o gozador.




One Response to “O Bardo Voyer”

  1. Edna Atenção:

    Hehehehe!

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