E me levou para a casa dele, sem cuidado com o que estava fazendo. Nada excitante, nada para ver, nada a notar, não consegui fingir. Talvez a combinação dessa cortina desbotada com a mesa de madeira e vidro jateado. Seu mau gosto revelando-se naquela lembrança de Fortaleza sobre mesa ou talvez as duas tvs ligadas e os cabos do videogame espalhados pelo chão ou ainda o telefone perdido sob a pilha de papéis com anotações de anos atrás. Seriam números de telefones das antigas namoradas?
O tapete não deve ter sido lavado nos últimos anos e talvez devesse colocar um capacho para limpar os pés quando sujos de barro. O cheiro bolorento do sofá, possivelmente abrigando migalhas de comida como banquete para formigas, só era superado pelo que vinha do banheiro de porta entreaberta e tapete enrugado. Também não consegui não notar a louça no escorredor brilhando a óleo e que talvez todos os talheres da casa estivessem no escorredor. Aliás, ele não devia ter aberto a geladeira para buscar água na pet reciclada de gasosa e oferecido o macarrão com salsichas de trasanteontem.
Só uma coisa sorria, no canto da sala o que eu queria e esperava, brilhante e ostentosa, suplicante e gostosa, sacana, implicante, uma garrafa de cana, ah! essa cana. Como as coisas tendem a ficar mais agradáveis com ela, abrindo a janela, as portas e as pernas finalmente! Entregar-me àquele amor latente.
March 8th, 2010 at 08:53
O álcool mata tudo. As vezes até bom senso.
March 30th, 2010 at 23:10
Matar, criar ou trair. Aliás, quantos verbos tem o álcool? Ah! Esqueci…