Um Velho Deitado

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O velho rabugento deitado em sua rede na varanda tinha de velho as marcas da idade. Tão sábio que era criava seus ditos, e de tanto deitado, sem nada a fazer, pôs-se a contar os paus da canoa, semear vento e observar a tempestade ao redor. Viu o cachorro que foi mordido por cobra comer uma linguiça, sua velha com os dois olhos no peixe fritando e o gato preso. “Gato vagabundo!” que não serviu para caçar, mas sim vai comer! O velho deitado estava com fome mas não dispensava o tempero, pois pela boca morreu o peixe e casou o homem que vive para comer.


Ele sabe que devagar não se vai longe, e que depois de inventarem o preconceito, em terra de cego caolho virou deficiente: “(..) você gostaria de ter um terceiro braço para coçar a bunda? De que vale um olho pra jogarem pimenta?” Seu neto curioso_o_ouvia e o via como velho ditador: “Ei guri! Faça o que eu digo, o resto como convir. Olhe os dentes desse cavalo, ponha a colher onde eu quiser, traga um pouco do palheiro mas te cuida! a agulha pode espetar.”. O neto adoidado pegou a agulha e cravou no crânio do velho deitado.


Hoje 10 anos depois, a justiça tardou e o crime prescreveu. O neto homicida deitou na rede do avô e recordou. Eram águas passadas movendo moinhos à frente. “ah sábio vovô… lembro você com carinho , ralhando de noite: “Ei guri! É bom botar o carro na frente dos bois senão amanhã você não sai para trabalhar.”. Ah! vovô… você foi ao ar e nunca tomaram seu lugar. Ah!, seu velho deitado, vai se danar (…)”.



3 Responses to “Um Velho Deitado”

  1. Edna Atenção:

    Ri alto! Meia hora de riso garantida! Muito bom!

  2. Arthur Atenção:

    Olhe os dentes desse cavalo! :)

  3. bondelaire Atenção:

    Como diria o Velho Deitado: “Gosto é coisa que se discute… a toda hora”. BonDeLaire agradece.

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