Rosa

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“Uma flor, eu quero uma flor.” - falava bicuda, aquela moça tão bela no meio da rua de barro longe da capital.

Chamava-se Rosa e bem sabia que, atrás de uma moça bonita, muitos homens esperando momentos de ganhar um sorriso.
E vinham de todos os lados, de cima e de baixo, com lírios entre margaridas e acácias. Ela tinha de tudo o que pedia e hoje, como sempre, queria uma flor.

O portador da flor mais linda era presenteado com um beijo. No rosto, é claro, e um sorriso, afinal. Quem não queria um beijo de Rosa, ela só queria uma flor.

E Rosa era esperta. Cada dia escolhia a flor de um diferente galanteador. Assim tinha todos não tendo ninguém. Só a flor do pobre lavrador ela não escolhia.
Por mais que fosse a mais bela e suntuosa orquídea, ou um crisântemo gigante com tulipas escandinavas, Rosa não escolhia. Tinha asco do lavrador, babão e molenga, com olhos brilhantes que só tem quem está apaixonado. Além disso, não tinha dinheiro para cobrir as pretensões de Rosa. Só tinha a mais bela flor.

E Rosa era esperta, e foi para a cidade. Lá, com certeza, conseguiria dinheiro e muito mais flores e galanteadores. “Uma flor, eu quero uma flor”, e ninguém atendia. Mas ela não desistia, “Uma flor, ao menos uma flor…”. Os dias passaram e o dinheiro acabou, e ninguém escutou. Teria que retornar para sua rua de barro.

Mas chegando lá, tudo mudara, Rosa não era mais a bela do jardim, e, no lugar dela, muitas outras flores, outrora botões, abriram-se e brilhavam. Só o lavrador, a ela, deu atenção.
“Lavrador, dá-me uma flor. Uma flor, eu quero uma flor…”
“Claro Rosa, minha deusa, minha musa, meu jardim, minha Babilônia. Cá está a mais bela das belas, só superadas pela sua beleza… São 20 reais.”




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