Reino de bobos

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Disseram por aí que há muito tempo, em um reino desconhecido, um fato curioso ocorreu. Desses que se contam nas historinhas para ninar adultos.
Naquele reino havia um Bobo. Isso mesmo! Daqueles com chapéu de estrelas e roupas multicoloridas, e que teimava em não ser engraçado. Ele dizia em todos os cantos: “Eu já sou bobo, por que ainda tenho que ser engraçado?”.
Sendo ou não sendo engraçado, ao menos o Rei estava satisfeito. Passava o dia tirando sarro do Bobo enquanto este, por sua vez, demonstrava não ter senso de humor. O Bobo queria mesmo eram roupas de seda chinesa, jantares na mesa real e privilégios sexuais com as cortesãs.

Eis que um dia o Bobo começou a dar ordens aos súditos. Dizia ter influência e o respaldo do Rei. Ele vinha andando e apontando para os colonos: “Hei você! Vire dez cambalhotas duas vezes por dia aqui no parque: ao amanhecer e ao anoitecer. É uma ordem para aumentar a alegria do reino.”, ou então: “Você e sua linda esposa dançarão todos os dias ao bater das 17h em frente ao palácio real.”, “e você outro! És responsável pela música desta dança.”.
Em pouco tempo o reino inteiro estava fazendo bobagens ao menos alguma hora do dia. O Bobo tinha até escritório agora. Vinham-lhe reclamar de dores nas costas, que não conseguiam mais plantar bananeiras, e o Bobo trocava sua bobagem: “não tem problema, todas as vezes que passares em frente ao palácio deverás girar em torno de si mesmo com os braços abertos”.

O Bobo logo ficou tão ou mais famoso que o Rei. Quem não aceitava suas bobagens ia para a “lista negra da tristeza”, ferramenta que o próprio Bobo criara. No final do mês os indivíduos da lista eram submetidos a sessões de tortura e tristeza, carregar caixão no velório, ficar sem ver o Sol por dias. E ai de que não se arrependia.
Na medida em que todos foram se acostumando com as bobagens, ficava muito mais fácil a tarefa. O Bobo ganhara respaldo popular, o poder. Lembro até que certa vez um dos carrascos oficiais do reino tinha ficado deprimido pois o Bobo fazia tempos que não passava nenhuma tarefa nova para ele.

“O reino mais alegre do mundo!” Gritou o Rei quando acordou naquela manhã bonita. E completou: “Mandem o Bobo para a forca!”.

“Mas por quê?” perguntou um de seus súditos.

“É que ele, de bobo não tem nada…”




2 Responses to “Reino de bobos”

  1. Mario Persona Atenção:

    parabéns, André, pelo blog.

  2. Nina Atenção:

    Poxa, não sei se é influência do retorno ao trabalho mas, só consegui relacionar bobo x rei com patrão x empregado…
    Bem assim mesmo.

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