A Desesperança

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Nascida prematura, se havia uma coisa que Esperança odiava era ter que esperar. Seja o tempo que fosse: uma hora, meia hora, cinco minutos (salve Jorge). Talvez fosse por isso que sempre chegava atrasada aos compromissos – pois só assim era garantido que não esperaria.
O rol de desculpas de Esperança passava pelo engarrafamento na ponte ao relógio que não despertara. Sua chegada, sempre triunfal, refletia a angústia nos olhos dos des esperados.

Pegar ônibus? Nem pensar… Elevador? Se não estiver parado no andar preferia as escadas. Talvez também por isso nunca se interessou em ter filhos. Nove meses!

No carnaval passado ela brincou. E como era de se esperar, na sua angústia saiu com o primeiro homem que nela chegou… em todas as noites. Um mês depois não conseguia mais dormir e foi fazer o teste. Devia ter esperado ele colocar a camisinha. E para não ter que esperar a cura da aids, pulou na frente do trem que, acredite se quiser, estava no horário.




2 Responses to “A Desesperança”

  1. Marina Speranza Atenção:

    Muuuuito bom! Adorei! Nem acredito que algo me fez rir num dia de péssimo humor como hoje…

  2. El Hombre sin Nombre Atenção:

    “quien lograr un bien espera
    quando espera desespera”
    (Tirso de Molina, El Burlador de sevilla)
    Traduzido para o portunhol por El Hombre sin Nombre

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