Prosa que não era prosa

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Em um tempo que não era há tempos, tinha um homem que não era homem, em uma casa que não era bem uma casa, falando uma língua que eu não entendia. Ele vestia uma roupa que não era bem uma roupa, com um chapéu que não tinha abas e fumava um cigarro que não era desses que se conhecia.

Esse homem não atendeu quando chamei seu nome, pois não era o nome chamado aquele que ele dizia ser do homem, mas me atendeu melhor do que eu esperava ser atendido quando não chamei o seu nome, mas sim sua atenção.

Susi, o travesti mais antigo daquele bordéu sujo, fumava um baseado vestindo roupas infames e sua peruca loura black power predileta. Sussurava um “vamos vamos vamulá pra dentro” ao pé do meu ouvido. “Vamu lá fazê amô – que naum é amô. Só que eu cobro dinhêro, mas pra ti não é dinhêro.”

Acho que a única coisa que era de verdade, e que outrora queria que não fosse, era que eu estava ficando de pau duro. E pior, eu tinha cartão de crédito que tinha crédito e tinha tempo que era bastante tempo… e tinha vergonha que não era vergonha.




2 Responses to “Prosa que não era prosa”

  1. Nina Atenção:

    E tinha um senso, que não era bom.
    E tinha uma vontade que estava nítida.
    Queria foder, mas fodido foi.

  2. Bondelaire Atenção:

    BonDeLaire agradece a preocupação!

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