Dezoito anos

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Júnior vivia à sombra de seu pai.
“Quando ele crescer vai ser igual ao pai!”. Não aguentava mais escutar isso. Já não bastasse seu nome igual – com o estúpido Júnior no final – ainda tinha que aturar piadinhas, comparações e aquele apelido de Juninho.
Seu pai, culto professor universitário, centenas de artigos publicados, outras tantas palestras internacionais proferidas e vomitadas, quinze patentes de produtos e batalhões de bolsistas gerando conteúdo de pesquisa, carregava consigo o ar de superioridade boçal que só um professor que acredita dominar o mundo consegue exalar.
Júnior não era nada disso. Gostava de jogar fliperama e conversar pelo Orkut. Discutia rock’n'roll e usava franjinha oxigenada, coitado.

Mas eis que Bob Pai morreu… e deixou uma gorda herança para Júnior. Hoje Juninho evoluiu! Joga fliperama, conversa no Orkut, discute rock’n'roll, pinta a franjinha e gasta muito dinheiro com prostitutas e whisky 12 anos.
18 anos, por favor.




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